Temos o país que merecemos.

Outro assunto que tem azucrinado os nossos sentidos, é o caso Relvas. E na minha opinião apenas representa a pobreza de espírito do povo deste país.

Em primeiro lugar quero dizer que eu trabalho num estabelecimento de ensino do Grupo Ensinus, que, por via disso, pertence ao grupo lusófona. No entanto, o facto de trabalhar numa escola do grupo lusófono não me retira a capacidade de ter uma cabeça para pensar e de ter opiniões sobre a forma como a opinião pública é manipulada.

Alguém considera que, por pertencer a um grupo onde houve um caso que pode conter facetas criticáveis e que pode representar alguma ligeireza com que neste país se olha para a legislação e para a forma como ela é aplicada, se ponha em causa o bom nome de uma instituição, aligeirando o grau de exigência que deve reger todos os procedimentos avaliativos das instituições de ensino?

Alguém no seu perfeito juízo pode considerar que, por via deste caso, se ponham em causa todas as avaliações realizadas no âmbito das escolas que pertencem ao grupo lusófona?

E o que para mim é mais significativo é que, este assunto tenha tomado a relevância que tomou apenas devido ao nome da pessoa envolvida. Se fosse outra pessoa de menor gabarito, nem pagando aos jornais se conseguia ver a notícia publicada.

Mas este caso é representativo da nossa maneira de ser:

  1. A necessidade que um político conhecido (e com provas dadas) tem de conseguir ter um diploma que lhe confira autoridade( ser tratado por Dr.);
  2. A necessidade que tem de recorrer a meios não tão ortodoxos, visto que, sendo político de carreira, não tem tempo de frequentar aulas noturnas;
  3. A forma como o facto de ser político lhe permite determinados benefícios que não seriam concedidos a qualquer comum mortal;
  4. A forma ligeira como toma esta situação, recusando-se a assumir qualquer leviandade relativa aos procedimentos. Em Inglaterra as responsabilidades seriam assumidas de forma diferente;
  5. A forma como o “Zé Povinho” olha para a questão e a resume de forma ligeira a “eles é que têm os livros. Eles é que sabem como se fazem”. O que poderá querer dizer que nós somos uns santinhos e nunca fazemos nada de errado. No entanto, toda a minha gente foge (quando pode) a um pagamento sem fatura (será assim tão rara a pergunta: Precisa de fatura?) ou a uma “facadinha” nos princípios do civismo que impliquem pagamento de impostos.
  6. A forma como uma universidade privada é imediatamente queimada na praça pública apenas pelo facto de ser privada, e portanto, capaz de todas as malandrices apenas para atribuir diplomas aos seus alunos;
  7. E por último a forma como se assume que os estabelecimentos de ensino são terrivelmente caros, quando está provado que o dinheiro que um aluno custa ao estado é superior aos custos que um aluno custa num estabelecimento de ensino privado, se compararmos o mesmo tipo de serviços. A grande diferença é que as escolas oficiais ( básicas, secundárias e superiores politécnicas ou universitárias) são pagas por todos os portugueses que pagam impostos e as escolas particulares são pagas apenas por aqueles que optam pela qualidade do seu ensino.
  8. Como em tudo, há  diferentes graus de exigência, mas para isso basta haver dois professores diferentes. Muitos dos que gozam com o assunto estariam caladinhos se lhes tivesse tocado a eles.

Esta é a minha leitura. E fico à espera que alguém me apresente algum argumento que me faça mudar a minha opinião.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Mentalidades. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s