Em casa onde não há pão…

Um dos assuntos mais falados na imprensa nestes últimos meses tem sido o tema da educação e das medidas tomadas pelo Ministério da Educação e Ciência inseridos num programa de reformulação de programas, revisão de processos e tomadas de decisão financeiras que têm implicações no status quo das últimas três décadas.
Pode concordar-se ou discordar-se. Mas todos temos a noção de que a área da educação e da saúde são as que maiores custos representam para os cofres do estado. E ao dizer isto estamos logo a incorrer num primeiro erro: o “estado” não tem cofres. Aliás o “estado” nem sequer tem dinheiro. O dinheiro é nosso, de todos os que contribuímos com a nossa parte para o custo global do país.
E é aqui que reside o busílis. É aqui que as opiniões divergem: para um lado vão as daqueles que têm uma agenda ( como se diz agora) filtrada por objetivos ideológicos partidários; para o outro vão aqueles cujos objetivos ideológicos não estão consoantes com a mesma agremiação política.
E sobram apenas aqueles que de facto tentam ser isentos e apenas pensam pela sua cabeça. Mas esses têm dificuldade em falar, pois têm sempre tendência para serem apelidados de adeptos da ideologia contrária. Na realidade estão apenas a dar a sua opinião independente de ideologias formatadas. Estão apenas a opor-se a uma formatação acrítica.
Ah, e estava a esquecer-me de que há “os outros”, infelizmente a maior parte, que pertencem àquele “clube acéfalo”, que dizem mal de tudo e de todos, mas que depois, em dia de votação, vão para a praia, pois não têm pachorra de aturar a política e os políticos. Enfim, apenas merecemos ( todos) o país que temos. E só nos podemos culpar a nós próprios enquanto povo.
E era aqui que eu queria chegar: há um blog muito conhecido pelas suas posições políticas sobre a educação desde 2010, mas que me tem vindo a desiludir devido ao facto de não conseguir deitar fora os “filtros” que usou durante vários meses contra o governo anterior. Pensava eu na altura que a sua “agenda” não era política. No entanto, ao visitarmos o blog hoje em dia, parece-nos uma página satélite do ministério da educação, tal é a semelhança de ideias, posições, opiniões, pontos de vista e decisões desejadas.
E para o comprovar queria apenas chamar a atenção para os três postes seguintes, publicados pela mesma pessoa apenas com dois anos de diferença e cujo contexto apenas se diferencia por terem sido publicados com diferentes governos do país: o de Sócrates e o de Passos Coelho.
http://www.profblog.org/2010/05/criacao-de-mega-agrupamentos-de-escolas.html
http://www.profblog.org/2012/06/maneira-mais-facil-de-deminuir.html
http://www.profblog.org/2012/06/uma-verdade-duas-teses-por-provar.html

Após a leitura destes postes, cada pessoa deve assumir as suas conclusões. E não quero com isto dizer que defendo as medidas do ministério. Apenas considero que as há boas e as há más.
Mas também considero que, quando não há dinheiro e há aperto orçamental, há que tomar decisões e arrumar a casa. Quem tem essa responsabilidade é sempre mal visto por aqueles que não estão preocupados com a origem do dinheiro. Apenas querem ver o seu problema resolvido. E, nesta perspetiva, eu tenho um “defeito”: sou responsável pedagógico de uma escola privada. Aqui o dinheiro que se gasta é pago pelos utentes. E sem dinheiro não há luxos. E sem dinheiro, os funcionários (todos) poderão ficar sem os seus empregos. Porque nós não trabalhamos com “rede”.
O problema é que, em termos de país, a resolução do problema de alguns tem implicações no agravamento do problema de todos. Porque, na realidade, os custos da educação pública também são pagos pelos professores e famílias do particular.
Importaria assim que quem tão duramente critica as decisões ministeriais dê a sua opinião sobre a melhor forma de resolver os problemas financeiros do país, sem olhas apenas para o seu quintal.
E, por último, importaria também que não fossem “vira-casacas” e tivessem uma maior consistência na opinião.

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