Um Projeto para o 2.º Ciclo: PRESSUPOSTOS EDUCATIVOS E CURRICULARES

Para que fique claro, o nosso projeto tem por base um conjunto de finalidades muito precisas e que implicam determinadas características por parte dos docentes. Este conjunto de princípios não deverão pôr em causa os programas de cada uma das disciplinas, mas deverão servir de “cola” para lhes dar consistência e unidade:
1. Não pretendemos criar apenas o 2.º ciclo. Para isso existem as escolas públicas e as de ensino massificado;

2. Queremos educar as crianças num espírito de determinação, esforço, curiosidade, inovação e alegria pelo que se faz;

3. Queremos que as disciplinas não sejam estanques, mas antes que as crianças compreendam as pontes que podem estabelecer entre as diversas áreas do conhecimento e a forma como isso as pode enriquecer;

4. Queremos dar prioridade à curiosidade prática, pelo que as disciplinas e a sua interdisciplinaridade terão como pano de fundo o desenvolvimento de projetos que se incluirão na  comunidade escolar e por sequência na comunidade alargada onde a escola se insere;
5. Por esse motivo pretendemos que as disciplinas estabeleçam pontes práticas na ligação à matéria apreendida e à sua utilização prática, dando prioridade ao aprender a fazer, saber fazer, saber organizar, saber gerir, saber “desenrascar-se”. Importa que a criatividade seja dirigida para o que é de facto importante e isso tanto pode ser o bem comum do grupo, como o bem da comunidade mais alargada (escola), ou ainda que extravase para fora da escola (bairro e/ou freguesia);

6. A aprendizagem de tecnologias informáticas e digitais servirá apenas como ferramenta aglutinadora da forma como se apresentam, se pesquisam e se difundem esses conhecimentos. Todavia é importante o desenvolvimento da literacia digital como forma de preparar os alunos para as diversas hipóteses práticas de utilização das referidas ferramentas na sua vida estudantil, familiar e social futura. Disso poderá depender também a forma como futuramente eles se irão integrar num grupo numa empresa ou criar o seu próprio projeto.

As disciplinas serão lecionadas pelos seguintes docentes:

Língua Portuguesa      – José Crispim Romão
Língua Inglesa            – José Crispim Romão
História e Geografia
de Portugal                – Ana Margarida Gonçalves
Ciências da Natureza  – Sara Castanheira
Matemática                – Sara Castanheira
Educação Musical      – Rute Silva
Educação Visual e
Tecnológica               – Cátia Profano
– professora da área de materiais a contratar ainda ( dependendo da obrigatoriedade de 2 docentes)
Educação Física        – Marco Pinto

Para além destas áreas, as ditas áreas não curriculares (Área de Projeto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica) serão dadas pelos docentes atrás indicados, não tendo ainda sido tomadas decisões sobre a forma como essas horas irão ser distribuídas, dependendo das decisões tomadas pelo Ministério.

Em termos extracurriculares, haverá o tempo de estudo e o  controlo comportamental que ficarão à responsabilidade da direção, apoiado pela Cátia Silva, já nossa colaboradora e que é licenciada em Psicologia.

Pressupostos:

1.       As disciplinas não são estanques mas sim transversais;

2.       Os docentes devem combinar estratégias que proporcionem o cruzamento de atividades entre diversas disciplinas, mesmo as que aparentemente não tenham nada em comum;

3.       Uma das características a desenvolver nas crianças é a curiosidade e a inteligência emocional como forma integrada de resolver problemas;

4.       Outra condição implícita é o alargamento da visão planetária, das exigências da Terra, lembrando que, embora pertençamos a sociedades e culturas diferentes espalhadas por esse planeta, estamos todos “no mesmo barco” e temos de nos respeitar mutuamente, mesmo que isso implique compromissos;

5.       Da mesma forma as disciplinas nesta fase devem funcionar como portas do conhecimento, abertas de par em par, ligadas a diversas pontes entre as diversas áreas do conhecimento, que permitam às crianças desenvolver gostos e interesses e integrá-los na sua maneira de ser, estar e pensar;

6.       Potenciar o envolvimento da comunidade educativa, de outras secções, nas atividades preparadas por e para os alunos do 2.º ciclo. Proporcionar aos outros alunos a apresentação de produtos criados por estes, seja em teatro, música, dança, texto ou poesia de forma a que isso possa proporcionar um estímulo extra para os mais pequenos;

7.       Aceitam-se propostas criativas de todos os docentes, no sentido de podermos aprimorar o relacionamento intradisciplinar, bem como o extradisciplinar, de simples lazer ou de aprendizagens outras que não as contempladas nos programas;

8.       Todas as atividades podem e devem ter um acompanhamento das TIC, não sendo estas um fim em si mesmas, mas antes um meio de atingir patamares mais integradores dos conhecimentos entretanto adquiridos;

9.       Fazer as crianças perceber que não há nada que se consiga fazer muito bem que não tenha necessitado de dedicação e de esforço permeado de sacrifícios. O que acontece é que, quando gostamos muito de uma atividade, não tomamos como esforço tudo o que fazemos por ela. Como se corre por gosto, não nos apercebemos do esforço e sacrifício envolvido;

10.   Desenvolver o conceito de método em todas as abordagens que as crianças façam, seja ao estudo, ao lazer, enfim, dar-lhes a compreensão de que com organização, método e esforço tudo se consegue. Depende apenas das nossas capacidades e da nossa perseverança. Fazer depender o método usado dos objetivos planeados e das dificuldades previsíveis;

11.   Valores como o respeito pela individualidade e/ou espírito solidário mesmo para com os que são nossos adversários, são importantes estruturas no desenvolvimento do caráter e da personalidade.

Estratégias Possíveis:

1.       Oferecer a frequência da disciplina de Língua Francesa ou Castelhana, como alternativa complementar ao Inglês;

2.       Criar atividades que valorizem e incentivem o espírito de observação científica. Da mesma forma proporcionar espaços e tempos para uma racionalização das observações realizadas que permitam uma melhor compreensão integrada do meio envolvente;

3.       Desenvolver um blog do 2.º ciclo ou de uma área no Moodle, subdividida depois em várias, mas às quais todos tenham acesso para visualizarem, criticarem e darem opiniões;

4.       Proporcionar a criação de uma estação de rádio a ser dinamizada pelos alunos em ambiente de recreio ou de tempos livres. Esta pode ser pré-gravada ou feita em direto de acordo com as diretrizes entretanto aprovadas pelo conselho de docentes do 2.º ciclo;

5.       Promover uma newsletter/jornal feita pelos alunos apenas com um conselho de correção sem interferência nos assuntos discutidos, a não ser que estes impliquem desrespeito pela escola, docentes funcionários alunos e/ou familiares;

6.       Potenciar o desenvolvimento de outros interesses, hobbies para além dos que são mais comuns. Assumir a complexidade como uma dificuldade a superar e não uma barreira intransponível;

7.       Será bem vista a criação de clubes que possam agregar interesses, com o apoio dos docentes, do restante pessoal docente do colégio, dos próprios pais. Um dos exemplos poderá ser um cineclube onde se possam mostrar filmes que possam servir de catalisadores para uma reflexão sobre a realidade, de forma a debater pontos de vista e mentalidades sobre assuntos polémicos.

Relação Família / Escola:

1.       Deve haver uma perceção, tanto por parte dos pais, como por parte do corpo docente, de que a idade dos alunos proporcionará comportamentos novos e diferenciados, devido à aproximação da pré-adolescência e à alteração da visão das crianças relativamente à imagem dos pais. É habitual nestas idades que crianças que nunca omitiram, mentiram ou de outra forma distorceram a realidade, o comecem a fazer agora, principalmente quando percebem que conseguem distorcer factos para seu benefício;

2.       É importante que a posição dos docentes e dos pais seja, perante as crianças, tão coincidente quanto possível. Devem ser evitadas pelos pais perante as crianças a desvalorização e/ou expressão de discórdia relativamente a métodos dos docentes e/ou da escola, pois isso irá desautorizar os docentes pela negativa. A análise das situações deve ser feita com a direção e/ou os docentes, mas sem pôr em causa o equilíbrio da relação aluno/professor/família;

3.       A partir deste nível de escolaridade, é importante que as crianças desenvolvam método e períodos de estudo, devendo estar igualmente preocupados com os trabalhos de casa e com o estudo das diferentes disciplinas que o implicam. Um dos problemas principais a partir destas idades é não saberem estudar e considerarem que apenas o devem fazer nas vésperas dos testes;

4.       É importante que haja exigência na formação dos alunos, pois caso contrário habituar-se-ão à mediania e dificilmente se esforçarão na proporção das necessidades à medida que vão evoluindo nos estudos. Essa é a razão das notas fracas quando chegam ao 8.º/9.º anos e daí para cima. Depois de criado o hábito, é muito mais difícil reforçar procedimentos;

A escola estará sempre aberta à análise de diferentes perspetivas com o objetivo de melhorar a prestação do ensino.

Alfragide, fevereiro de 2011

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