Ensino – Quo Vadis?

Espantoso! Verifiquei agora, com alguma surpresa, que foi em Agosto que eu escrevi o último post!

De facto, se atentarmos nas características que um “blogger” deve ter, eu não posso ser considerado como um verdadeiro “blogger”. Ou seja, sou assim como uma imitação falsa, um escritor de Domingo, alguém que não consegue manter uma página activa e actual no que respeita aos assuntos que pretende trazer à espuma da superfície.

Para ser justo comigo próprio e com os meus eventuais leitores, devo também dizer que só não o faço porque as tarefas que me estão confiadas têm sempre prioridade sobre as textos que eventualmente vá escrevendo sobre a realidade da educação, ou a realidade da escola onde trabalho. No entanto os tempos conturbados que vivemos implicam que todos tenhamos que sair à rua a defender as nossas convicções. Pelo menos, confrontá-las com as de outros para ver se se faz luz…

Ultimamente, o ambiente na educação anda de tal forma agitado que dou comigo por vezes a matutar no futuro do ensino e da escola em Portugal. E, como eu costumava ouvir aos mais velhos, quando era mais pequeno, “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Não quero de alguma forma tomar parte na liça, tomando a posição deste ou daquele. Apenas acho que, da forma como vamos, quem fica prejudicado é o “mexilhão” para utilizar outra imagem frequentemente utilizada.

E vem isto ao caso do seguinte: de que forma é que a escola actual está organizada para tentar fomentar a inovação e a criatividade nas crianças? De que forma cada professor consegue criar actividades e estratégias que sejam capazes de dar aos alunos essa centelha de curiosidade que serve de combustível para a descoberta do mundo envolvente?

E não me parece que, com o ambiente incendiado que se encontra, sejamos capazes de encontrar a serenidade necessária para que os alunos aprendam e os professores ensinem. A escola está a sofrer alterações profundas que, pelas suas características obrigam a opções que têm de ser sempre políticas: os alunos devem passar mais ou menos tempo na escola? Os docentes devem ou não ter outras actividades na escola para lá das suas actividades lectivas? Os docentes devem ou não ser avaliados?

Por estes motivos, e outros ainda, vemos os professores em guerra com o ministério, mais preocupados com a sua própria carreira do que com o facto de serem responsáveis pelo ensino e educação dos que lhes estão confiados. É claro que isto não ajuda a melhorar a imagem que o público em geral tem dos docentes, não ajuda a que os alunos respeitem mais os professores e não ajuda a que os níveis de proficiência no ensino sejam os melhores. Mas isto não é de agora, já vem de há muitos anos. Agora apenas não há o dinheiro que havia anteriormente e por isso tudo tem de apertar o cinto.

Esta guerra é uma guerra de interesses, desde os particulares e profissionais dos professores, aos dos sindicatos, aos dos ministros e apaniguados, não se antevendo algum resultado de valor para os que têm de caminhar todos os dias para a escola para realizarem todos os passos do seu percurso escolar. Se a população estudantil está em decréscimo, como é que não há-de haver alunos a menos para o elevado número de professores que têm sido formados em todas as ESEs que proliferaram pelo país? Por que razão passámos em 30 anos do 8 ao 80? Na década em que comecei a ensinar, quase não havia uma formação específica para se ser professor. Ia para o ensino quem não queria fazer outra coisa, e bastava uma licenciatura. Hoje, se se tiver uma licenciatura, não se pode dar aulas, mas os que fazem os cursos nas ESEs nem sempre o escolhem pelas melhores razões. Chegam mesmo a formar-se professores que tiveram nas disciplinas de acesso notas baixas a Matemática e/ou a Português. Acontece com os professores o contrário do que acontece com os médicos. Se calhar por não haver uma ordem dos professores, pois não é considerada uma profissão liberal.

Mas também fico a pensar: e será que, se houvesse uma ordem dos professores, este ambiente iria desaparecer?

Como resultado de tudo isto, o futuro dos nossos alunos poderá estar em causa. Isto se todos nós – ministério, docentes, sindicatos, secretários de estado, associações de pais, alunos, auxiliares, população em geral – não encontrarmos forma de dar a volta à situação.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Educação. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s