Depois disto, já nada me espanta!

Espanta-me o actual radicalismo com que alguns bloggers se acicatam contra algumas medidas que consideram inventadas pelo demo, sendo este invariavelmente a Milú ou o Sócrates, consoante as situações e os interesses.

Quero eu referir-me a um artigo do Professor Ramiro no Profblog (http://www.profblog.org/2010/08/ja-so-faltava-isto.html )

Em primeiro lugar, quem lê o artigo à pressa, fica a pensar que foi uma decisão do governo,  devido ao nome ( Já só faltava esta! ) que se dá ao artigo. Com mais calma, indo à notícia de origem no jornal Público, verifica-se que é uma medida que está em estudo… no Reino Unido!

Depois, lendo o artigo com calma conseguem-se retirar alguns  aspectos dignos de nota. Para se perceber o nível ridículo a que alguns artigos chegam quando se deixam levar por cores partidárias ou lutas com objectivos claros “ad hominem”, eu vou fazer a mesma coisa, mas ao contrário…

Desta forma, digerindo o artigo, encontramos as seguintes pérolas:

Texto retirado do artigo do blog (1) :

“O mesmo Estado que promove o sedentarismo das crianças com o conceito de escola a tempo inteiro e com a oferta de computadores a crianças que nem ler sabem(…)”

As minhas observações, ou antes, questões retóricas:

a)    Ou seja, as crianças na escola a tempo inteiro são a causa de sedentarismo, promovido pelo estado, pois assim as crianças ficam privadas de fazer exercício?

b)   Os computadores ( leia-se Magalhães ) são piores que a “fast food”? Então e outros meios áudio-visuais como a televisão, o VHS, as Play Stations, as Nintendo, os game-boy, os dvd, a Wii, já para não falar dos gravadores de cassetes, walkman, leitores de CD portáteis, leitores de MP3?

c)    E em relação a computadores, são só os Magalhães que estão em causa? Os outros para os alunos mais velhos e para os professores já não provocam obesidade?

Texto retirado do artigo do blog (2) :

“Quando os Governos – por via de más políticas – lançam no desemprego 10,6% dos portugueses com idade para trabalhar é no mínimo de mau tom acusar os pais de não serem capazes de evitar a obesidade infantil e juvenil.”

As minhas observações…

a)    Sinceramente, não entendo o que uma situação tem a ver com a outra…

b)   Só porque o estado deverá ter remorsos de ter mandado estas pessoas todas para o desemprego(???), já não tem autoridade moral para criar medidas que possam ajudar a lutar contra a obesidade?

c)    Ou seja…os pais desempregados não conseguem educar os filhos para terem uma alimentação saudável? Ou o governo, por ser culpado do desemprego deles, não pode tomar medidas contra a tendência para o aumento da obesidade?

Texto retirado do artigo do blog (3) :

“Esquecem os proponentes desta medida que a obesidade mórbida tem carácter genético e a outra pode ser combatida com refeições escolares saudáveis e o acompanhamento regular de um nutricionista.”

As minhas observações…

a)    E as escolas não têm margem de manobra para lutar por uma melhor alimentação para os alunos?

b)   O que andam os conselhos executivos e os conselho pedagógicos a fazer?

c)    E os professores só estão preocupados com a avaliação ( a sua )?

Texto retirado do artigo do blog (4) :

“Mas o melhor que o Governo pode fazer para prevenir a obesidade infantil é deixar de dar computadores às crianças, acabar com a escola a tempo inteiro e financiar Actividade de Ocupação dos Tempos Livres ao Ar Livre: aventura e descoberta e convívio com a Natureza.”

As minhas observações…

a)    Pois…o que se vê mais nas escolas são crianças durante os intervalos e os recreios, com os Magalhães em riste…

b)   Claro que  a escola a tempo inteiro deveria acabar (os professores podiam ir para casa mais cedo, preparar aulas)

c)    O estado tem que gastar o seu dinheiro é a criar Actividades e Ocupação de tempos livres e convívio com a Natureza… E a escola não tem nada a dizer? Ou seja, pretende-se que seja o estado novamente a criar mais despesa com outras iniciativas ( separadas da escola para não a sobrecarregar )…

d) Por que será que os pais acabam por ter de gastar dinheiro do seu bolso para os OTL e/ou ATL, para que os filhos possam ficar resguardados enquanto eles estão a trabalhar? E o facto dos pais terem de trabalhar e não poderem estar com os filhos, também é culpa do governo? Ou então, porque será que muitos acabam por optar e procurar escolas particulares?

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