Qualidade do Ensino ( parte 2 )

O que me parece estar mal no nosso sistema de educação acaba por se resumir às expectativas e representações que dela têm as famílias,  os próprios alunos e os executores de base: as escolas e os professores.

Do meu ponto de vista, como responsável de uma escola particular, a organização, a forma como as actividades se desenrolam, a forma como as famílias são trazidas à participação no processo de aprendizagem e a forma como se transmite aos alunos o gosto por saber, por aprender e por ir mais longe são o determinante de uma boa aprendizagem.

Parece-me a mim óbvio que isto implica esforço da parte de todos:

  1. Dos pais porque têm de participar no processo e não podem deixar para a escola o que a escola per se não consegue fazer: dotar as crianças de uma escala de valores sólidos, em que o esforço, a solidariedade e a criatividade funcionem como um elemento aglutinador;
  2. Dos professores porque são os primeiros elementos junto das crianças e devem lembrar-se que a aprendizagem se faz por modelação e que eles são o modelo dos seus alunos;
  3. Dos professores, novamente, porque a profissão de docente é desgastante ( todos os docentes o sabem ). Todavia também é recompensadora;
  4. Dos alunos, porque se não quiserem (ou não gostarem de) aprender, dificilmente algum docente conseguirá fazer um bom trabalho. Num caso desses, antes de tentar ensinar o que quer que seja, o professor tem que “ganhar” o aluno. E nesse caso precisa do apoio dos pais.

E não vejo como se pode fugir a este conjunto de premissas que têm uma inter-relação indissolúvel. Se falhar algum destes 3 pólos, o processo fica em causa.

Em relação aos trabalhos de casa talvez o problema esteja no nome. Mas na realidade, os alunos precisam de ter um tempo em que, sozinhos, sejam levados a repensar os conceitos aprendidos e a sistematizá-los. Se se chama TPC (ou outra coisa qualquer), isso, do meu ponto de vista, é irrelevante. Se é feito em casa, ou se a escola cria um período de estudo para tal fim, também é irrelevante.

Há 50 anos eu tinha o mesmo tempo de escola e trabalho que uma criança tem hoje: 5 horas de aulas até às 15 e depois os trabalhos de casa que me exigiam até às 5 horas, hora de libertação e do lanche…no meio tinha o percurso a pé até casa ( 20/30 minutos ).

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Educação. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s