Ainda Sobre Quadros Interactivos

Como responsável pedagógico de um colégio particular, considero de extremo interesse a partilha de experiências com os quadros interactivos, pois serão uma ferramenta do futuro nas escolas e devemos ter isso em conta quando pensamos em ensinar.
Pressupostos
Como pressupostos do ensino, todos nós temos consciência de que a comunicação é um factor primordial para a aquisição dos conhecimentos. Antigamente, os bons alunos tinham normalmente tendência para provir de famílias com uma representação muito positiva da aquisição dos conhecimentos. Claro que estes meios de aquisição de conhecimento não estavam à mão de semear, mas as famílias que valorizavam a aprendizagem e o conhecimento faziam os sacrifícios que eram necessários e que estavam ao seu alcance para que os seus filhos tivessem acesso a livros, enciclopédias, bibliotecas, discos, espectáculos de teatro, cinema, etc…
Hoje vivemos na sociedade da partilha de informação. Nunca a informação e o conhecimento estiveram tão facilmente à mão de quem queira aprender. Todavia, a escola como estrutura pesada e com uma inércia muito grande, tem-se mantido renitente e crítica relativamente à utilização das tecnologias de forma a democratizar a informação e o conhecimento. Isso até nem teria grandes inconvenientes se à sua volta acontecesse o mesmo. O problema é que quando os alunos saem das aulas têm o MP3, o Ipod, o telemóvel, o portátil, a internet de banda larga, as mensagens instantâneas, as redes sociais tipo hi5 ou facebook, etc… Então o que acontece é que começa a existir uma revolta surda contra a escola que não se quer actualizar. E esta guerra será certamente uma guerra perdida, pois neste momento, a não ser que haja um cataclismo a nível mundial, nada voltará nunca a ser como antes.
Então o que há a fazer? Aprender, comparar, partilhar, trocar ideias com os colegas, aderir a redes sociais e a comunidades de colegas docentes, ou seja, deixar de ter a cabeça metida na areia. Não quero com isto dizer que concordo com os que advogam a utilização das tecnologias pelas tecnologias. Na minha opinião não são um fim, mas antes um meio. No entanto são um meio demasiado poderoso para ser desperdiçado. Claro que trarão mais trabalho, mas será um trabalho diferente que, devido à forma como será recebido pelos alunos, poderá ser usado em nosso benefício, pois até nos parecerão mas rápidas e participadas as aulas dadas. No início é óbvio que dará mais um pouco de trabalho por que todos nós, professores e alunos nos teremos de adaptar às novas ferramentas.
Para terminar este preâmbulo, nunca houve um tempo em que o conhecimento e a aprendizagem não estivessem tão acessíveis democraticamente. Agora, isso não quer dizer facilitismo, não quer dizer baixar a fasquia da exigência, não quer dizer diminuir o esforço necessário para que um aluno tenha boas notas.

Que dificuldades foram experimentadas?
Passo então a analisar as dificuldades com que uma pessoa interessada na dinamização das novas tecnologias, e por extensão os quadros interactivos, tem de enfrentar.
A primeira reacção da maior parte dos professores é defensiva. Em primeiro lugar porque acham que lhes vai tirar tempo. Depois porque percebem que têm de dominar conhecimentos com os quais nunca se preocuparam. Nunca quiseram ir além da utilização do WORD na óptica do utilizador. Depois também, porque todos os processos de inovação são confrontados com uma inércia muito grande. Por último, muitas pessoas não conseguem ver a escola como um lugar de trabalho em equipa, com a partilha e a participação de todos. Há sempre os que gostam mais de não fazer e encontrar já feito.
Após estas dificuldades, vêm as outras: tempo para formação e percepção das potencialidades das tecnologias. Criação de recursos e partilha com os colegas.
Para exemplificar, no meu colégio, o primeiro quadro interactivo foi importado em 2000, visto que ainda não havia em Portugal. Embora adstrito a um curso com características específicas, nunca houve proibição de utilização por parte dos docentes. Todavia, foram muito poucos os docentes que o usaram, nem mesmo com a possibilidade de usarem a internet…
Apenas há 4 anos, quando foram adquiridos mais 3 quadros interactivos e se aderiu à Escola Virtual, se começou a generalizar a sua utilização, mesmo assim não representando ainda nem sequer um terço do tempo de aulas dessas turma e professores.
Agora, com a utilização dos computadores Magalhães e a generalização da internet por acesso wireless em todo o colégio começou-se a generalizar o uso do computador, da MOODLE, das mensagens, dos blogs, dos wikis, da escola virtual, do Mathletics, etc…

Que funcionalidades são mais úteis?
Do meu ponto de vista enquanto responsável, a internet no QI e um computador portátil são as características mais importantes. No entanto, a existência de um software que permita a criação de recursos de forma rápida e fácil é também muito importante. Neste aspecto há dois pontos a ter em conta: a maior parte dos professores prefere um programa já existente que não lhes dê trabalho ( manuais digitais, escola virtual, etc…). Todavia, mais tarde ou mais cedo percebem que se tiverem um software para criação de recursos acabam por fazê-lo, pois o que querem ensinar fica à sua maneira e pode ser usado da forma que melhor se aplicar à turma que estão a leccionar. No entanto este é um ponto de fricção. E há muitos quadros interactivos que não estão a ser usados por causa destes dois aspectos conjugados.

Que softwares utilizo e com que finalidade?
Neste aspecto, do meu ponto de vista há apenas duas hipóteses: ou uso o software que vem com o quadro interactivo e que permita a criação de recursos ( os melhores são de facto o activinspire da Promethean e o notebook da Smartboard ) ou então funciono como freelancer usando os diversos softwares que me permitam agilidade total ( habitualmente também implicam uma maior e mais profunda literacia digital, ponto a que muitos professores ainda não chegaram ): para imagem o Paint.net ou o Gimp; para som o Audacity,; para histórias/filmes a partir de fotos o Photostory 3, o moviemaker; para texto/ cálculos, apresentações o Open Office e depois todo um conjunto de “webbased Technologies” que se encontram facilmente fazendo uma busca no Google. Do YouTube aos teacher’s tube,há tanta informação à disposição do professor na internet que até poderá parecer um sacrilégio não ser usada. Para isso o melhor será estender a rede de partilha e aprendizagem às comunidades de docentes, como o interactic 2.0, que, não sendo a única, é nitidamente a melhor para que se passe a palavra e que o fruto tecnológico floresça e o espírito criativo, dinâmico, inovador, curioso, nasça e se desenvolva. Por último quero dizer que a comunidade de partilha ligada aos quadros interactivos da Promethean é de facto muito boa e vasta.
Para criação de recursos em quadros interactivos há uma grande variedade: JCLic, Excel, eXelearning, Hot Potatoes, Moodle, Scratch, Activeinspire, Notebook.

Que funcionalidades gostaria de ter no quadro / no programa?
No nosso caso, criámos um servidor, com os quadros interactivos e computadores todos ligados em LAN, o que permite partilhar conteúdos muito facilmente através da rede, de qualquer ponto da escola. Por outro lado, todos os computadores ligados à LAN têm acesso à internet de banda larga e por isso acesso à informação partilhada em todo o mundo. Embora o processo não esteja ainda a funcionar a 100% é de facto a melhor forma de potenciar a utilização dos computadores.

Quais as actividades que motivam mais os alunos?
A maneira mais fácil de responder seria dizer que os alunos gostam muito das tecnologias. Todavia, se as tecnologias não forem bem usadas, podem ser tão “secantes”, para usar o vocabulário dos alunos, quando as tradicionais aulas dadas a debitar matéria para os alunos dormitantes… Por isso, na minha opinião a resposta não está, só por si, na aquisição e na utilização das ferramentas tecnológicas…. Imaginem adquirir um quadro interactivo para passar PPTs… Depois é necessária muita formação e muita paciência para ir puxando pelo desenvolvimento das actividades em sala de aula. Mas os resultados são gratificantes.
Apanhado final
Devo por isso dizer que, no nosso colégio, mais de metade das educadoras usam já meios tecnológicos ou para as suas aulas ou para comunicar com os pais e veicular as actividades a realizar, as realizadas, as avaliações, os recados, etc… No caso dos docentes do 1º ciclo, o avanço é mais lento, muito motivado pelo facto de a maior parte dos docentes estar a esforçar-se por recuperar o desfasamento digital que apresentavam há dois anos. E todos os dias vão aprendendo alguma coisa e melhorando e inovando. No fundo é isso que eu quero e não posso exigir mais. Também é um meio de permitir uma partilha entre professores e alunos, pois no 3º e 4º anos, como têm aulas de informática, muitos alunos já ensinam os professores…e a aprendizagem é eficaz.
Colégio de Alfragide
José Romão

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