Como encontrar resposta para tantas dúvidas?

Com estas interrogações, eu apenas tenho tentado encontrar, numa grande selva de opiniões em várias línguas, uma linha de conduta e filtros de avaliação de propostas que possam ser usáveis na escola que dirijo.

Se bem que não seja um exemplo completo, pois apenas contempla os níveis pré-escolar e de 1º Ciclo do Ensino Básico, penso que grande parte destas ideias, pensamentos, sensações e opiniões é importante e  penso que este debate deveria ser generalizado a todos os elementos participantes  nesta grande actividade a que se dedicam dezenas de milhares de portugueses, seja como professores, como alunos ou pais.

Há desta forma vários aspectos a ter em linha de conta e para os quais não será fácil encontrar um consenso ou uma resposta única na qual possamos fazer tábua rasa e partir para outra realidade.

Ensinar em abstracto:

Quais os objectivos primeiros do ensino?

Criar mão de obra necessária para a economia?

Acabar com o analfabetismo?

Melhorar os níveis de literacia?

Nivelar as sociedades pelo conhecimento?

Melhorar o relacionamento e o conhecimento que as diferentes culturas têm umas das outras, razão apresentada para a maior parte dos conflitos que tema assolado o desenvolvimento humano ao longo dos séculos?

Que tipo de preparação queremos para os nossos alunos?

Preparar os futuros profissionais?

Melhorar o nível dos nossos alunos?

Concorrer com os restantes países do mundo ocidental?

Proporcionar uma ocupação para que não integrem cedo demais o mercado de trabalho?

De que forma a tecnologia pode proporcionar uma melhor preparação?

Facilitar o acesso à informação?

Proporcionar o desenvolvimento de um espírito curioso, crítico e dinâmico para a transformação do meio envolvente?

Libertar o conhecimento e a aprendizagem das paredes da escola?

Democratizar o acesso ao conhecimento?

Como preparar os alunos para uma carreira em que equilíbrio e emprego seguro serão cada vez mais expressões sem sentido?

Preparar para a inovação e espírito crítico na avaliação da realidade e dos novos caminhos a trilhar para a sua alteração, independentemente da difusão ou não das tecnologias da Informação e do Conhecimento.

Uma nova escola:

Que paradigma de ensino?

Ensino presencial

Autoridade centrada no professor?

Difusão unívoca do conhecimento?

Conceito Magister Dixit?

Estudar por vontade (edupunk)

Liberalização dos conteúdos ( wikipédia, colaboração online, “open source” por oposição aos produtos controlados por marcas ( Microsoft vs. Google )?

Expectativas dos alunos?

Dificuldades sociais?

Representações das famílias?

Valorização da Cultura?

Ensino à distância online

Usada por grandes organizações para a formação contínua dos seus colaboradores ( militares, grandes corporações, grupos sócio-profissionais dos quais os professores são um exemplo emergente )

Usado por indivíduos que apenas queiram aprender matérias que podem ser totalmente afastadas do que é a sua linha profissional.

Ensino misto (simultaneamente presencial e online)

Sistema usado em muitas universidades, em que a par de aulas presenciais existem sistemas de gestão de transmissão de conhecimentos, mais conhecidos por LMS como o Moodle ( desenvolvidos em ambientes Open Source por oposição aos sistemas de marca registada )

Formação Contínua

A formação não está apenas ligada a um curso inicial, mas antes à forma como o sujeito de aprendizagem usa os seus conhecimentos para melhorar a sua visão do mundo e por essa via implementar melhorias no seu meio directo ( profissional familiar ou social )

Ensinar tendo os testes por horizonte?

Qual a importância dos testes?

Se não são importantes por que razão não foram já abolidos ( embora no sistema português seja quase possível a um aluno chegar ao nível universitária com meia dúzia de testes realizados ao longo de 12 anos de aulas. )

É  pela não existência de testes que os nossos resultados são melhores?

De que forma a escola consegue avaliar o funcionamento correcto dos testes e dos seus resultados?

Será que a leitura da maior parte das grelhas de correcção de testes nos dão uma correcta leitura da curva de Gauss? Não será que há distorções nessa curva?

De que forma se poderá admitir que muitos professores estejam habituados a usar testes pré-formatados, feitos pelas editoras, que têm como objectivo o país inteiro e classes com conhecimentos muito diferenciados, tendo por isso resultados desajustados ao nível de exigência que muitas vezes é aplicado no dia a dia?

Será que o fazem apenas porque querem evitar o trabalho a mais? Será que em todos os  níveis de ensino há professores a dar testes pré-formatados?

Até que ponto o facto de as turmas e os alunos não serem confrontados com exames rigorosos, não permite que haja algum laxismo na forma como os docentes podem aplicar a bitola de exigência?

Como se pode aceitar que os programas de muitas disciplinas possam não sejam cumpridos? Até que ponto isto acontece em todas as escolas?

Como se exerce o controlo apertado de planificações e programas tanto nas privadas como nas públicas?

Será que os sistemas se aproximam?

Em caso afirmativo, como se pode explicar uma tão grande diferença entre os resultados das escolas públicas e privadas?

Será que se justifica apenas pela diferença de classes e capacidades financeiras?

A importância dos testes no ensino

De onde vem a tendência de evitar os testes como forma de se aferir da qualidade dos sistemas?

E este fenómeno, tanto quanto me  tem sido dado observar não é exclusivamente português, pois a mesma tendência acontece na Europa e nos Estados Unidos.

Ensinar sem testar? Que futuro? Avaliação Contínua “forever”?

Será possível desenvolver um sistema de ensino formador de futuros profissionais sem se aceitar ter de haver uma forma sincrónica de avaliar e comparar conhecimentos diferenciados?

Será que o mundo do trabalho vai permitir ficar sem os melhores apenas porque não há forma de poder aferir quais são de facto os melhores?

Não serão depois as empresas a instituir um conjunto de testes de forma a poder escolher entre as centenas de candidatos ( facto que já acontece em grande multinacionais)?

Será que o sistema desenvolvido e cimentado nas últimas décadas tem melhorado o nível dos profissionais habilitados profissionalmente?

Na época da certificação para todas as áreas de actividade humana, vamos abdicar da certificação dos conhecimentos? De que forma a sociedade irá beneficiar?

Se perguntarmos aos pais, qual será a sua posição perante os testes?

Tecnologia:

Que facilidade em introduzir a tecnologia na sala de aula?

Será que as condições em geral de todos os escolas serão as mesmas?

Será que podemos garantir as mesmas condições para todos os alunos?

Será que a preparação dos docentes tem acompanhado a velocidade vertiginosa em que a transmissão de conhecimentos e de comunicação e espírito de colaboração tem aproximado as pessoas de pontos afastados do planeta?

Equipamentos existentes

Da mesma forma, que as condições das escolas podem criar grandes diferenças de oportunidades, até que ponto as tecnologias ( computadores, ADSL,  redes de acesso livre nas escolas ) permitem uma igualdade de tratamento entre todos?

Materiais online existentes

Neste aspecto tem-se avançado muito e conseguem-se encontrar já muitos materiais de apoio na internet, uma boa parte deles criada em português norma brasileira.

Temos também de reconhecer que o Ministério da Educação por uma lado, e as autoridades que de uma maneira ou de outra estão ligadas ao desenvolvimento e aplicação do Plano Tecnológico por outro, têm sido os responsáveis pelo grande desenvolvimento do número e qualidade de materiais disponíveis para todas as escolas.

Também temos de dar o mérito aos milhares de professores que de forma anónima criam todos os dias conteúdos que aplicam nas suas aulas e que muitas vezes partilham com os seus colegas.

Preparação dos docentes

Qual a percepção que os docentes têm da realidade do desenvolvimento das condições de aplicabilidade de tecnologias em ambiente de sala de aula?

De que forma não sentem que isso irá pôr em causa a sua função ou habilitações / preparação tecnológica para poder enfrentar turmas de alunos que na sua maioria já cresceram com os computadores à sua volta e dominam bastante bem estas novas tecnologias ( se bem que nem sempre da melhor maneira ).

De que forma o modo como os alunos usam as novas tecnologias é a forma mais correcta para que aquelas possam trazer valor aumentado ao processo de ensino / aprendizagem?

Preparação dos alunos

Qual a percepção dos alunos em relação à aplicação de novas tecnologias em ambiente de estudo, trabalho ou sala de aula?

De que forma poderemos ensinar os alunos a usarem as tecnologias de uma forma mais consentânea com as reais capacidades de utilização em ambiente de aprendizagem?

De que forma o professor tem de alterar a forma como vê a sua posição na sala de aula para uma presença mais colaborativa e coordenadora principalmente à medida que os níveis de ensino vão subindo e que o limite da curiosidade de um aluno está apenas a uns cliques da resposta em documentos digitais e virtuais em inúmeros servidores ao longo do planeta?

Será que o professor tem consciência de que não terá qualquer hipótese de estar antecipadamente a para de todo o conjunto de informação produzida a toda a hora e á qual os alunos interessados poderão ter acesso?

De que forma isso não irá levar a um novo conceito de escola e de aprendizagem bem mais próximo da aprendizagem na vida real?

E como é que esta nova maneira de ver o ensino e a aprendizagem estará demarcada pelas formas actuais de avaliação de conhecimentos?

A tecnologia resolve os problemas?

Será então que a tecnologia só por si vai resolver os problemas que enfrentamos?

Mas será que, por outro lado, não as usar não irá fazer a escola divorciar-se completamente da realidade da nossa juventude e da dispersão e transmissão de conhecimento não formal e colaboracionista?

Quantas situações como as da célebre frase “ Dá-me o telemóvel!” ainda vamos ter de assistir até que as escolas percebam que os novos meios de comunicação estão mais perto de pertencerem à solução do problema do que ao seu aprofundamento?

De que forma pode a tecnologia minorar o “gap” entre professores e alunos?

E qual o papel que as relações entre alunos e professores irá começar a ter?

Quantos dos professores vão começar a ter alunos como amigos no “Facebook”?

E de que forma isso irá melhorar ou piorar o relacionamento entre professor e alunos?

E será o relacionamento equivalente em todas as idades?

De que forma pode a tecnologia minorar o abandono escolar?

E em relação ao abandono escolar? De que forma pode a escola agarrar através das novas tecnologias os alunos que de outra forma em décadas anteriores abandonariam a escola por esta não lhes trazer nada de novo e representar uma faceta autoritária, hipócrita e caduca?

A realidade portuguesa:

O alargamento da rede escolar após 25/4/1974

Os problemas decorrentes da massificação do ensino e da formação de professores em Portugal nas três últimas décadas ( aspectos positivos e negativos )

A recusa da autoridade e os abusos da democracia e das teorias pedagógicas

A proliferação e cópia de teorias pedagógicas que levam a que haja um contínuo diferendo entre os partidos no que respeita à educação e ao caminho a percorrer, mas, ainda mais importante, que tem impedido que haja um consenso sobre os principais objectivos a atingir independentemente do governo que esteja no poder.

A Barreira da Língua Estrangeira

Nunca como agora as línguas estrangeiras ou a ineficácia do seu domínio pela grande maioria da população foram uma barreira ao desenvolvimento da nossa mentalidade, embora isso esteja a mudar a uma velocidade muito rápida.

O ensino público versus ensino particular

Por que razão há uma diferença tão grande entre escolas do ensino particular e público quando se analisam os resultados de exames?

Será que as escolas ( públicas e privadas ) não são capazes de se debruçar sobre essa realidade?

A participação dos docentes

E de que forma ao professores têm sido facilitadores ou barreiras a esta evolução?

Tecnologia obrigatória para os docentes ou à escolha?

De que forma deve a aplicação e difusão de novas tecnologias e respectiva aplicação em sala de aula ser posta aos docentes? Usar ou recusar liminarmente de acordo com a sua opinião? E de que forma numa mesma escola se poderá admitir que haja turmas a evoluir a velocidades ou em condições completamente diferentes?

Alterações introduzidas pelo “e-escolinhas” e “e-escolas”…

Na realidade, para lá das discussões estéreis sobre o Magalhães e a forma como foi implementado, de que forma ele mudou as nossas escolas?

Será que introduziu até ao momento alguma alteração significativa? E porquê?

Não será que as pessoas têm andado mais preocupadas em deitar o projecto “e-escolas” abaixo do que a encontrarem alternativas de o pôr em funcionamento?

E agora? Quantos Magalhães estão a ser usados em ambiente de sala de aula de forma mais produtiva?

Espero sinceramente que o futuro traga esclarecimentos e mentes esclarecidas para conseguirmos perceber qual o caminho e , após isso, arregaçar as mangas e entregarmo-nos denodadamente ao trabalho.

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Uma resposta a Como encontrar resposta para tantas dúvidas?

  1. inpi diz:

    Colega José Romão, recebi notícia que tinha modificado uma página do WikiEducator e foi aí que descobri todo o magnífico trabalho que está a desenvolver on line. Na minha escola, http://cad-cascais.org começa a haver algum trabalho, ainda incipiente, neste sentido. Na comunidade Edublogs – onde participei o ano passado, encontrará certamente colegas de Língua Inglesa a desenvolver projectos semelhantes com os alunos, como em http://studentfriends.edublogs.org. Estou muito interessada em aprender mais sobre a escola do futuro.

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