“ASK NOT WHAT YOUR COUNTRY CAN DO FOR YOU. ASK WHAT YOU CAN DO FOR YOUR COUNTRY.”

Mesmo com todos os defeitos, houve de facto duas áreas de actuação do governo que virão a ter repercussões profundas no futuro, mas que, neste momento,  me parecem estar a passar ao lado da nossa atenção enquanto povo.

Estou a referir-me especificamente à abertura e obrigatoriedade do ensino do Inglês ao 1º ciclo das escolas oficiais e à medida do programa tecnológico pela qual foram distribuídos computadores quase a custo zero aos alunos do 1º ciclo e a preços baixos aos alunos do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário.

Em relação ao Inglês não temos consciência que essa é uma pecha que tem consequências indirectas no nosso nível de produção e na forma como o mundo nos vê. Em relação aos computadores, lembro que, mesmo com os preços acessíveis que incluíam a utilização de internet, houve muitos docentes que recusaram a sua aquisição.

De qualquer forma impõe-se agora que a bola seja passada ao campo civil. E em relação a isso, o que é que a sociedade civil tem feito sem ser criticar o Governo do Eng.º Sócrates? Pouco ou mesmo nada!

E é aqui que nós temos de fazer alguma coisa.

Tenho ouvido opiniões críticas em relação a estes programas devido ao facto de o governo ter descarregado os computadores nos colos dos alunos e não ter feito nada para formar docentes e dotá-los de computadores equivalentes para que em conjunto algo se possa fazer para alterar o paradigma da aprendizagem em sala de aula. Chega-se mesmo a afirmar que este programa só foi para a frente para encher os bolsos a meia dúzia de pessoas interessadas no desenvolvimento do programa.

Todavia, eu faço a pergunta ao contrário? O que é que a sociedade civil e os professores têm feito para dar a sua ajuda ao plano tecnológico do Eng.º Sócrates? Neste momento e neste artigo eu não vou responder a essa pergunta, pois poderia ser acusado de influenciar opiniões. Apenas gostaria que cada português, per se, fizesse uma auto-crítica e desse depois a sua opinião.

Da mesma forma, é caricata a situação em Portugal relativamente ao uso de uma língua estrangeira. Quando são os próprios docentes que referem que não usam muito a internet ou outros meios de “social networking” porque muitas vezes não dominam a língua inglesa, será que a culpa também é do Eng.º Sócrates ou dos anteriores governos? E qual a responsabilidade que cabe a cada um de nós? Se nem a maior parte dos cerca de 11% de portugueses que têm curso superior consideram saber o inglês suficiente, o que se passará com os outros que têm apenas o 6º ou o 9º ano?  Será que as pessoas não percebem que são todos estes aspectos que tornam ainda mais grave a nossa localização periférica?

Em governos anteriores ao 25 de Abril até se poderia compreender pois a política portuguesa seguia a norma do “orgulhosamente sós”. Neste século, porém, mesmo que quiséssemos, dificilmente conseguiríamos pôr em prática tal conceito. Pela simples razão que a internet é ubíqua e é um caminho que trilhamos do qual já não há possibilidade de retrocesso. Mas então, se não dominamos a língua Inglesa e se a internet nacional em termos educacionais e escolares é pouco mais do que uma pobreza franciscana remendada, de que nos serve?

Do meu ponto de vista chegamos ao momento de enfrentar a frase do presidente John F. Kennedy: “Ask not what your country can do for you. Ask what you can do for your country.”

E é aqui que a palavra cabe a cada um de nós.

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