AS TIC, A ESCOLA, E EU!

Desde que se tomou a decisão de avançar na dinamização das tecnologias de Informação e Comunicação no colégio, que se fizeram ouvir várias vozes sobre os computadores e os seus malefícios, bem como sobre o que viria a acontecer ao ensino se todos os docentes se deixassem influenciar pela utilização das novas tecnologias.

Para mim, todavia, estas questões não foram formuladas de modo correcto, senão vejamos:
1. Quando eu comecei a dar aulas, algures no ano lectivo de 1976/1977, todo o trabalho que eu desenvolvia enquanto professor, tinha o apoio de uma máquina de escrever “ Royal”, muito velhinha. Se eu queria fazer um exercício na sala de aula, lá tinha eu de escrever à mão, preparar o exercício, depois passar a limpo na máquina e por fim, tirar fotocópias para dar aos alunos ou então, caso quisesse alguma coisa mais trabalhada, tinha de fazer vários textos à máquina, fotocopiar, cortar e colar e por fim fotocopiar o documento final para entregar aos alunos. Será que hoje em dia, alguém no seu perfeito juízo, pretende trabalhar desta forma? Será que as pessoas não se lembram dos métodos terríveis que tínhamos de usar para corrigir os erros quando escrevíamos à máquina? Será que alguém hoje gasta dinheiro em fotocópias (ou em tinteiros) para criar inúmeros documentos intermédios até chegar aos documentos finais que pretende apresentar aos alunos?
2. Também na mesma altura, como professor de línguas, o tempo necessário para organizar folhas de exercícios para os alunos trabalharem era muito. Por isso os docentes optavam por mandar os alunos todos comprar os mesmos livros de exercícios para que depois todos pudessem fazer os trabalhos em casa. Não será que é muito mais barato, se os alunos puderem encontrar centenas de locais na “net” onde podem escolher e imprimir ou fazer download de exercícios vários para sistematizarem as matérias aprendidas nas aulas? Será que passa despercebido a tanta gente, o dinheiro desperdiçado em enciclopédias e afins, quando se tem à disposição na World Wide Web uma quantidade de informação, na língua que quisermos e que nos permite preparar aulas, criar documentos, testes, exercícios etc., que tanto poderão facilitar a nossa actividade enquanto professores? Claro que se tem de pagar uma prestação mensal de cerca de 30 a 40 Euros pelo serviço de internet… Mas, então… e o dinheiro que as pessoas gastam em pacotes de 100 canais de televisão que depois nem têm tempo para ver? E o dinheiro que se gasta em chamadas de telemóvel só porque é mais prático e está na moda? Será que estas razões servem para justificar o facto de um professor não ter “internet” em casa? Eu já digo em casa, visto que na escola é da responsabilidade da instituição poder fornecer esse serviço a todos os que nela trabalham.
3. Em relação à Escola Virtual ( passe a publicidade ), será que não é óbvio que ela não vem substituir de forma alguma os livros de texto, mas poderá servir de elemento de coesão para a utilização de novas tecnologias em sala de aula, de forma a poder integrar todo um conjunto de elementos e fontes de saber que de outra forma não seria possível? E não será, numa outra maneira paralela ao Moodle, de fazer com que os alunos tenham acesso a trabalhos, documentos ou ainda aos trabalhos de casa?
4. E será que é assim tão trabalhoso preparar as aulas tendo em conta a “internet” e os elementos que ela nos pode disponibilizar? Não será uma forma de nós estarmos mais abertos ao mundo e a novas ideias, podermos participar em fóruns onde se discutem novas maneiras de ver o ensino? Claro que se pode dizer que não tenho tempo para essas coisas…Mas na realidade não é o tempo que falta. Talvez seja o receio de que a utilização destes novos meios venha a pôr em causa o nosso trabalho e a respectiva qualidade.
5. E será que o Moodle é assim tão “papão”? Será que só tem aplicação nas universidades? Será que não há lugar para que o professor permita aos alunos outras portas de aprendizagem e outras formas de interacção que possam trazer valor acrescentado à forma como os alunos vão usando os conhecimentos que vão capitalizando?

Do meu ponto de vista apenas posso mostrar a minha experiência. E ela tem tido de tal forma uma evolução exponencial que é difícil pôr em palavras o percurso que eu fiz desde há apenas 4 meses…que já parecem uma eternidade.

Neste documento que coloquei no “google documents” de forma a que todos possam aceder, eu tenho vindo a coligir e a anotar a evolução que se tem vindo a produzir no colégio no que respeita à divulgação e utilização das novas tecnologias da informação e do conhecimento. Aproveitei também para anotar o que eu tenho considerado como os objectivos para o colégio, ano após ano. Também tenho vindo a anotar lá a forma como nos diversos graus de ensino a funcionar no colégio, há hipóteses de utilizar novas ferramentas que eu ainda não conhecia, e às quais me tenho vindo a habituar de forma a poder ajudar os docentes quando eles tiverem dúvidas na sua utilização.

Mas para falar na minha experiência, a realidade distribui-se em duas eras diferentes: A.T. ( antes do Twitter ) e D.T. ( depois do Twitter ). Digo isto desta forma brincalhona embora não me esteja a rir e considere que não é de facto uma anedota.
O que eu posso dizer é o seguinte: sempre me interessei por educação, pelas tecnologias, teorias e metodologias necessárias para que um professor leve a sua tarefa a bom porto, sem perder de vista todas as problemáticas que afectam, um a um, cada um dos nossos alunos.

Antes do Twitter, usava todas as ferramentas que facilmente um professor usa: word para processamento de texto, excel para elaborar folhas de cálculo com dados facilmente trabalháveis para se ter um ideia do que se vai fazendo e que depois é facil transformar em gráficos ou documentos apresentáveis ou ainda em impressos…Usava ainda gestores de mail como o outlook, o gmail visto que de há cerca de 3 anos para cá o e-mail deixou de ser uma forma de mandar anedotas ou fotos giras aos amigos e passou a ser uma ferramenta de trabalho bem potente e consumidora de tempo. Além disso “ googlava “ tudo o que não sabia e sobre o que queria procurar informação. Noutras áreas aprendi a trabalhar fotos, principalmente para as poder colocar no site do colégio ou fazer cêdês para que os pais pudessem ter as fotos dos filhos num determinado ano lectivo. Aprendi a linguagem HTML de forma a poder fazer páginas Web e fui eu que iniciei a página do colégio já há uns 8, 9 anos. Mas de facto andava a leste…

Todavia, comparando com o Depois do Twitter, os meus conhecimentos sofreram um impulso muito grande. Em primeiro lugar porque me inscrevi em fóruns onde travei conhecimento com outros docentes que vão discutindo o que fazem, como o fazem e vão trocando experiências. Isso permitiu começar a olhar para as coisas de outra forma. Não que seja melhor ou pior: é simplesmente diferente pois construí uma rede de conhecimentos que não se cinge só ao nosso país. Sigo outros docentes de outros países tão diferentes como os Estados Unidos, a Turquia, o Canadá, a Alemanha. E é assim que vou comparando maneiras de fazer, mentalidades e vou observando os processos de ensino que eles vão fazendo e adaptando a crítica ao nosso país e à nossa realidade. E muitas vezes faz-se luz na minha mente, uma luz muito forte e que apenas serve para experimentar coisas com as quais nem sequer tínhamos sonhado. E reparem…a informação é tanta e tão variada que eu vou guardando links que achei interessantíssimos para depois noutra altura em que tenha tempo possa analisar com calma. Além disso regsitei-me num vasto conjunto de sites onde são disponibilizadas ferramentas interessantes e que servem de apoio a qualquer docente. O espírito é colaborativoe há sites de todo o tipo, desde alojamento de apresentações, textos, revistas, fotos, filmes, podcasts…enfim…um mundo. De tal forma que tive de arranjar uma agenda digital onde inscrevo todos os users e passwords que uso para entrar em cada um deles!

Quando ouvi falar do Twitter a primeira vez pensei “ Um sítio onde eu posso dizer em 140 caracteres o que estou a fazer? Mas para quê? Quem é que poderá estar interessado?”. Só que quando comecei a usá-lo e a perceber que poderia seguir pessoas que tivessem uma actividade que eu achava importante ou interessante e que poderia trocar impressões informais com elas ou pura e simplesmente seguir o que elas andavam a observar na net…Então comecei a perceber o grande valor que isso me poderia trazer…e comecei a usar o Twitter diariamente através de uma aplicação que me permite estar ligado o dia todo, por exemplo, e, a espaços, seguir o que os outros trouxeram até mim…

Claro que o Twitter também pode ser um lugar onde se mandam umas larachas, ( e onde se podem usar outras formas abusivas de incomodar o próximo) para serem lidas pelas pessoas que nos seguem ou que nós seguimos…Mas, se fosse esse o único objectivo, eu já teria largado o twitter há muito tempo. E só pode dizer mal do Twitter ( O nosso Nobel Saramago ) quem acha que já aprendeu tudo e que não há mais nada que possa vir a aprender. Ora isso é muito limitativo.

Por todos estes motivos que eu tentei organizar neste “post”, esta é apenas mais uma das razões que farão com que eu redobre os esforços para conseguir ajudar todos os docentes, alunos e pais de alunos do colégio a evoluírem como eu evoluí e a conhecerem outras realidades que lhes poderão trazer benefícios…mesmo que seja só a longo prazo. Apenas quero dar a oportunidade a outras pessoas de passarem além dos seus próprios limites e tornarem-se parte do mundo.

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