YES, WE CAN

Aqui há uns dias, em almoço de família, discutiam-se as características portuguesas.

Uma das que era consistentemente analisada era a nossa dependência  em relação ao estado. Estamos sempre à espera que seja o estado que nos ajude, que faça algo por nós, sendo sempre difícil tomarmos nós a dianteira e fazermos algo independentemente da ajuda do estado. Se acontece uma desgraça, é o estado que tem de ajudar.

Tentando encontrar uma razão para tal comportamento fomos andando para trás no tempo e verificámos que, de facto, sempre estivemos dependentes de alguém. Aliás, parece que não conseguimos existir sem o estado, sem uma autoridade, sem um patrão. Por exemplo, se entrarmos numa escola secundária e fizermos um inquérito aos alunos de 12º ano sobre o que pretendem fazer no futuro, a resposta invariável será “ tirar um curso superior e depois arranjar um bom emprego.” Serão muito raros os que irão dizer “tentar encontrar um nicho de mercado, criar a minha empresa e trabalhar.” As mesmas respostas encontraremos se fizermos o mesmo inquérito numa faculdade, aos alunos que estão a terminar os seus cursos.

Por que será? Aqui há uns anos tinha um professor que dizia que, desde Alcácer Quibir, Portugal nunca mais se tinha conseguido encontrar. Por isso estamos sempre à espera que chegue o “desejado” numa manhã de nevoeiro e que venha resolver os nossos problemas. Talvez, mas…então porque não aceitamos que no-los resolvam? Quando há um governo que tenta fazer alguma coisa, logo se erguem milhares de vozes contra ele, procurando denegri-lo, minimizá-lo. E quando, por fim, conseguimos que ele se vá embora, quando entra outro, após algum tempo de graça, logo voltamos ao mesmo…porque assim, porque assado. E temos de estar sempre contra o que o estado pretende, mesmo que tenhamos sido nós a decidi-lo. Só porque sim! Apetece-nos.

Razão tinham os romanos a quem é atribuída a frase ” os Lusitanos não se governam nem se deixam governar.” De facto, desde há muito tempo que andamos a dar tiros nos próprios pés: o esbanjamento de dinheiros públicos, a falta de visão e planificação como nação, a Santa Inquisição, a expulsão dos judeus, o “orgulhosamente sós”, a guerra colonial…

Haverá alguma vez alguma hipótese de se fazerem planos a longo prazo? de se cumprirem horários? De consciencializarmos que somos um grupo e que cada um de nós tem de fazer o seu melhor? De que o estado não é “ a sopa dos pobres ” ? De que temos de ser nós a fazer alguma coisa pelo estado e não o contrário?

Tenho muitas dúvidas.

Mas se alguma vez quisermos contrariar este estado de coisas, esta tendência que temos para nos criticarmos e para o derrotismo, temos que assumir uma nova atitude:

YES, WE CAN.

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