Responsabilidade e Bom Senso…Procuram-se! Dão-se alvíssaras.

De facto a situação está a tornar-se cada vez pior. Quem tem de se relacionar com alunos, qualquer que seja a sua idade, tem de enfrentar uma dificuldade para a qual temos de estar preparados e desenvolver estratégias reguladoras: os pais não educam os seus filhos no princípio da responsabilização por etapas.

Falando abertamente, são múltiplas as áreas em que se nota este exagero (eu chamar-lhe-ia antes desleixo ) que terá os seus efeitos profundamente negativos mais tarde, sendo muitas vezes difícil arrepiar caminho quando os hábitos já se encontram enraizados.

Todos sabemos que, desde crianças,  as tarefas que nos cabem individualmente, têm de começar a ser assumidas lentamente, de forma a que possamos perceber a razão das acções que nos são exigidas, a sua função educativa, social, familiar, etc. Todos sabemos que uma criança de dois anos não consegue vestir-se, mas se ela tiver 4 anos, já começa a ser estranho que não consiga de forma alguma vestir uma ou outra peça de roupa, mesmo que depois tenha de haver um adulto a deitar uma olhada e verificar o que está mal. Penso mesmo que todos nós aprendemos a fazer as coisas assim. Foi errando ou tentando e não conseguindo, que aprendemos a realizar todas estas pequenas tarefas que são uma aprendizagem necessária para a vida.

Penso que todos concordam com o que eu acabei de dizer. Pelo menos em termos gerais. Porém, o que acontece na realidade é que os pais, quando confrontados com as dificuldades dos seus filhos, os desculpam pois são ainda muito pequenos e não têm obrigação de saber fazer as coisas. À medida que as crianças vão crescendo, vêm as tarefas de casa ( arrumar brinquedos, arrumar o quarto, ajudar em pequenas tarefas na organização funcional das lides caseiras), os trabalhos da escola ( ler, escrever, fazer exercícios, trabalhos de férias ) e depois não fizeram “porque não tiveram tempo”, ou “porque se esqueceram”, ou “porque não têm obrigação de se lembrar pois são ainda muito pequenos”, e os pais chegam mesmo ao ponto de entregarem justificações assinadas por si para justificar falhas dos seus filhos…

O que acontece quando as crianças crescem, pelo menos em idade e corpo, e continuam a proceder como sempre os habituaram? Pois, é isso…Não cumprem as suas responsabilidades porque nunca se habituaram a tal. E quando chamados “à pedra” continuam a dar as mesmas desculpas que sempre deram ou ouviram dar.

O mais grave ainda é quando essas desculpas são dadas pelos pais à sua frente, quando são interpelados por um docente ou educador: a criança sente que a sua falta está resguardada pela posição dos seus pais e que portanto não lhe irá acontecer mal algum. E assim continua a proceder da mesma forma perante a impotência do docente ou da pessoas que está responsável por ele.

Os problemas chegam quando são adultos e já não há pais a tomar a responsabilidade. Por vezes chegam mesmo ao ponto de se tornarem opressores dos seus próprios pais pois não entendem o que estão a fazer de mal. Só muito tarde já, quando tiverem problemas sociais, laborais, familiares ou outros problemas de interacção e relacionamento social é que irão pensar o que está mal. E depois, nessa altura, talvez exagerem no sentido oposto com os seus filhos porque têm a noção dos erros cometidos pelos seus pais.

Somos todos responsáveis por esta mentalidade. Mas, a bem do futuro dos nossos filhos, temos de fazer alguma coisa para inverter esta tendência.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Educação com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s