O Meu Filho Não Mente!

Esta é uma frase que se ouve recorrentemente junto dos pais. Mas em relação a isto eu apenas pergunto: Tem a certeza?

Uma das dificuldades no relacionamento entre a escola e os pais é a diferente representação que os encarregados de educação têm dos professores. Muitas vezes, quando recebem recados em relação à forma incorrecta como os seus filhos se comportaram, o primeiro reparo vai no sentido de questionar a autoridade, a competência e a capacidade pedagógica do professor.

Não quero com isto dizer que os professores sejam infalíveis ou que não tenham dias melhores e dias piores. Todos sabemos que a forma como nos sentimos poderá ter influência na forma como nos relacionamos com os nossos pares. Pela mesma razão, o relacionamento entre docente e discente está também muitas vezes dependente da forma como o docente consegue ou não “dar a volta” aos problemas e interagir com o aluno, independentemente de estar ou não em ambiente de aula.

Da mesma forma também não quero dizer que  a culpa seja sempre dos alunos e da sua proverbial falta de educação. O que eu quero dizer é que muitas vezes falta aos pais autoridade junto dos filhos para os questionar sobre os seus procedimentos e chamar a sua atenção para a necessidade de respeitar os outros, sejam eles colegas, funcionários ou docentes. Só depois, e sem ser à frente dos seus filhos, é que deveriam tentar saber junto do docente ou seu legal substituto ou representante o que se passou e qual a forma como poderão ajudar o professor.

O que na realidade acontece é que a primeira pedra a atirar é, quase sempre, contra o professor, não tendo em conta as diferenças de comportamento e de procedimento que os seus educandos apresentam quando em conjunto com outros colegas, perante os quais não querem dar parte de fraco, ou têm receio simplesmente de serem considerados “mariquinhas”. Daí que as aulas filmadas, gravadas ou pura e simplesmente fotografadas por todo o tipo de telemóveis sejam o mais comum. Aliás, quando se quer proibir o uso de telemóveis, não são os pais os primeiros a criticar, pois querem que os seus filhos estejam sempre contactáveis, seja dentro ou fora das aulas?

De facto, desta forma é muito difícil ser pároco numa  freguesia. Onde está o respeito pelos professores? Será que os pais não entendem que, ao atacarem os professores de forma indiscriminada estão a minar a autoridade deles na sala de aula, na escola? E no que respeita à educação dos filhos ( ou antes, à falta dela ) não será por que eles ( os filhos ) apenas fazem o que vêem os pais fazer?

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