O Problema da Avaliação de Desempenho Docente

•14/08/2011 • Deixe um Comentário

Pensei de facto duas vezes antes de publicar este texto, No entanto acho que devo fazê-lo para bem da minha consciência.

É de facto espantoso como um assunto, que não deveria trazer nada de mais, pode vir a tornar-se num motivo para que o ministro da educação perca o estado de graça a que teria inicialmente direito. Aparentemente afinal, o problema da avaliação não era da Maria de Lurdes Rodrigues ou da Isabel Alçada. Era antes, sim, um mal estar da população docente do país que não está interessada em ser avaliada: por um lado porque poderá sair mal na fotografia e, por outro, porque isso poderá ter influência na sua carreira e nos seus privilégios. Claro que isto não é afirmado, mas fica nas entrelinhas.

É espantoso como uma classe que tem por função ensinar e avaliar posteriormente o nível de aprendizagem por parte dos seus alunos, não esteja de acordo com a sua avaliação. Por outro lado não se compreende como neste país tudo funciona como na tropa: a idade é um posto. Ou seja, criaram-se as carreiras para que cada
pessoa possa subir na sua carreira até ao topo, dependendo apenas do tempo que se manteve como docente.

É também espantoso que todo este sistema esteja assente na forma de pensar dos sindicatos que, são os primeiros a defender os docentes para que eles não sejam avaliados. E dizem que a avaliação só traz inconvenientes nas escolas porque coloca uns docentes contra os outros. E que as avaliações não podem depender dos directores, nem de pessoas por eles nomeados porque isso iria levar a que eles usassem a sua posição e se vingassem das pessoas que com eles não concordam.

Agora pergunto eu: e não é assim que as coisas funcionam em todo o lado? os chefes e os patrões não são bem vistos porquê? porque muitas vezes têm pontos de vista inerentes às suas funções que os colocam em linha de fogo de interesses dos que são mandados e avaliados. Por isso, e porque os interesses são frequentemente contrários, as pessoas não se dão bem com os seus chefes e/ou patrões.

Apenas penso o seguinte:

1. É para mim claro que, devido à natureza humana, as pessoas que não são controladas nas suas tarefas, e que não têm motivações especiais por elas, não desempenhem as suas funções de forma acima da média. E acima da média não quer dizer excelente. Quer dizer apenas normal. No meu tempo de estudante chamava-se a isto a “Lei do Menor Esforço”. E não me digam que esta situação já não existe. Toda a gente sabe que assim é, mas todos parecem ter medo de atirar as primeiras pedras, apenas porque receiam que elas lhes possam cair em cima da cabeça.
2. Por essa razão, em todas as profissões e em todas as organizações, há pessoas cujas funções são o controlo da qualidade do trabalho. São os sub-chefes, os chefes, os donos, os patrões, os capitalistas, enfim, todos os que detêm uma posição hierárquica na “linha de produção”, qualquer que seja o produto fabricado, que lhes controlam os movimentos e produzem uma avaliação do trabalho produzido.
3. No anterior governo todos acharam que não poderiam existir duas categorias de docentes: os titulares e os outros… Então e agora o que é? os que são avaliados e depois os outros, os que estão acima da avaliação?

Contra mim falo. Sou professor há 34 anos. Atingi por idade o topo da carreira. Há 24 anos que sou director pedagógico de uma escola particular. Mas sempre fui avaliado no ensino particular. Sempre tive de dar satisfações ao coordenador de disciplina a quem tinha de entregar os testes que ia dar, e depois, até 15 dias depois, entregar a grelha de correcção dos testes de forma a que fossem avaliadas pelo coordenador antes dos testes serem entregues aos alunos. Isso apenas me obrigava a ter cuidado, a rever posições com frequência, a rever notas antes de as publicitar, a melhor preparar as aulas para que os resultados pudessem ser melhores.

Tenho consciência de que a avaliação dos docentes é um ponto dos mais complicados. Quando recebo as auto-avaliações dos docentes da minha escola, a tendência é que os próprios docentes se vejam como os melhores com avaliações equivalentes à excelência. Claro que eu tenho de fazer reparos e apontar situações em que a avaliação não é assim tão boa. Apenas apontar que, em muitas situações, a Excelência é uma miragem. Mas classificar um docente com menos de Bom é mesmo muito difícil. A não ser que seja mesmo negativo.

Na minha opinião, quando uma pessoa faz apenas o que é exigido de modo normal, do seu trabalho, faz um trabalho suficiente. A qualidade é um desvio da normalidade para a excelência. E a sua falta é um desvio para a mediocridade. Que avaliação faço de um aluno que apenas se esforça o suficiente para ter positiva e que não se importa de não ser o melhor da turma? Dou-lhe Muito Bom? Dou-lhe Excelente?

E é por tudo isto que eu considero que a única forma de resolver a questão seria a de criar provas finais em todos os anos a partir do 1.º ano até ao 12.º, de carácter nacional, e exames no final de cada ciclo. As provas seriam avaliadas pelos próprios docentes dos alunos a partir da grelha de correcção nacional. Desta forma ficaria clara qual a divergência das notas dos testes relativamente às notas internas; poderia depois ser completada com a informação dos coordenadores nomeados pelos directores e nesse aspecto cobriria o desempenho global do professor na escola, nas actividades fora da sala de aula: transdisciplinaridade, participação em actividades, iniciativa na criação de actividades na escola; inovação imprimida pelo professor às suas turmas e ainda outros aspectos que decerto todos nos lembraremos, como a assiduidade, o cumprimento de normativos internos administrativos, o relacionamento com os pais dos alunos, cumprimento dos programas, etc…

Claro que já sei que vozes se irão levantar contra isso, pois todos esses elementos iriam usar a sua posição e a avaliação para se vingarem nos colegas/professores…

Assim nunca chegaremos a lado nenhum. De facto, assim, é melhor que se faça como na Madeira por ordem do Alberto João jardim: todos os professores em princípio têm BOM… só se se portarem mal. Agora depende do que se tem por “portar-se mal”. Será isto mais objectivo?

Já no tempo dos romanos na península, houve um general romano que, ao fazer a nossa avaliação enquanto povo, dizia que éramos um caso perdido. Nem nos governávamos nem nos deixávamos governar. E assim continuamos.

O QUE PODEMOS FAZER PELA NOSSA ECONOMIA

•16/06/2011 • Deixe um Comentário

Recebi esta mensagem no correio electrónico. Li-a com atenção e, como acho que a atitude nela referida pode melhorar as nossas condições económicas, resolvi colá-la aqui como nota, embora não seja da minha autoria. Tenham todavia em atenção que, não deve seguir a opção do “560″ no código de barras, pois as multinacionais que estão sediadas em Portugal, já perceberam a ideia e já registam os produtos cá, embora não sejam cá produzidos. Por isso deve apenas confiar na indicação na embalagem “Fabricado em Portugal”.

Não se deixe mais manipular pelo
marketing!
Faça aquilo que os políticos, por razões óbvias, não lhe podem recomendar sequer, mas que individualmente você pode fazer: torne-se PROTECCIONISTA da nossa economia!

1. Experimente comprar preferencialmente produtos fabricados em Para isso: Portugal. Experimente começar pelas idas ao supermercado (carnes, peixe, legumes, bebidas, conservas, preferencialmente, nacionais). Experimente trocar, temporariamente, a McDonald’s, ou outra qualquer cadeia de fast food, pela tradicional tasca portuguesa. Experimente trocar a Coca Cola à refeição, por uma água, um refrigerante, ou uma 2. Adie por 6 meses a 1 ano todas as compras de produtoscerveja sem álcool, fabricada em Portugal. Beba apenas vinho Português! estrangeiros, que tenha planeado fazer, tais como automóveis, TV e outros electrodomésticos, produtos de luxo, telemóveis, roupa e Portugal afundou, somos enxovalhados diariamente por considerações e Leia com atenção e reencaminhe para que sejamos muitos a ter esta atitude! calçado de marcas importadas, férias fora do país, etc., etc.. comentários mais ou menos jocosos vindos de várias paragens, mas em particular dos países mais ricos.

Olham-nos como um fardo pesado incapaz de recuperar e de traçar um rumo de desenvolvimento.

Agora, mais do que lamentar a situação, cabe-nos dar a resposta ao mundo mostrando de que fibra somos feitos para podermos recuperar a nossa auto-estima e o nosso orgulho. Nós seremos capazes de ultrapassar esta situação difícil. Vamos certamente dar o nosso melhor para dar a volta por cima, mas há atitudes simples que podem O desafio é durante seis meses a um ano evitar comprar produtosfazer a diferença. fabricados fora de Portugal. Fazer o esforço, em cada acto de compra, de verificar as etiquetas de origem e rejeitar comprar o que não tenha Desta formasido produzido em Portugal, sempre que existir alternativa. , estaremos a substituir as importações que nos estão a arrastar para o fundo e apresentaremos resultados surpreendentes a nível de indicadores de crescimento económico e consequentemente de redução de desemprego. Há quem afirme que bastaria que, cada português, substituísse em somente 100 € mensais as compras de produtos importados, por produtos fabricados no país, para que o nosso Representaria para a nossa indústria, só por si, um acréscimo superior a 12.000.000.000 de euros por ano, ou seja uma verba equivalente à da construção de um novo aeroporto de Lisboa e respectivas Este comportamento deve ser assumido como um acto de cidadania, comoacessibilidades, a cada 3 meses!!! um acto de mobilização colectiva, por nós, e, como resposta aos povos do mundo que nos acham uns coitadinhos incapazes.

Os nossos vizinhos Espanhóis há muitos anos que fazem isso. Quem já viajou com Espanhóis sabe que eles, começam logo por reservar e comprar as passagens, ou pacote, em agencia Espanhola, depois, se viajam de avião, fazem-no na Ibéria, pernoitam em hotéis de cadeias exclusivamente Espanholas (Meliá, Riu, Sana ou outras), desde que uma delas exista, e se encontrarem uma marca espanhola dum produto que precisem, é essa mesma que compram, sem sequer comparar o preço (por exemplo em Portugal só abastecem combustíveis Repsol, ou Cepsa). Mas, até mesmo as empresas se comportam de forma semelhante! As multinacionais Espanholas a operar em Portugal, com poucas excepções, obrigam os seus funcionários que se deslocam ao estrangeiro a seguir estas preferências e contratam preferencialmente outras empresas espanholas, quer sejam de segurança, transportes, montagens industrias e duma forma geral de tudo o que precisem, que possam cá chegar com produto, ou serviço, a preço competitivo, vindo do outro lado da fronteira. São super proteccionistas da sua economia! Dão sempre a preferência a uma empresa ou produto Espanhol! Imitemo-los nós no futuro!

Passe este texto para todos os seus endereços para chegarmos a todos Viva Portugal. Quando a onda pegar, vamos safar-nos.

COLÉGIO DE ALFRAGIDE – Temos de travar o avanço dos números da obesidade infantil.

•16/06/2011 • Deixe um Comentário

De acordo com um relatório europeu cujos resultados foram publicados recentemente, cerca de 30% das crianças portuguesas têm excesso de peso,e cerca de 10% são obesas.

Obesidade, um problema que afecta cada vez mais europeus
Saúde pública – 22-01-2007 – 17:51

A obesidade é um problema de saúde pública

A população europeia está cada vez mais pesada. Nos 27 Estados-Membros da UE existem 14 milhões de crianças com excesso de peso e 3 milhões de crianças obesas. Em alguns países, metade dos adultos têm excesso de peso e estima-se que 20% a 30% dos adultos se tornem obesos. Esta epidemia europeia afecta particularmente as crianças e os jovens. As propostas para combater o problema incluem melhor informação aos consumidores, educação, refeições equilibradas nas escolas e prática de desporto.

Nesta perspectiva o Colégio de Alfragide iniciou há 5 anos um processo pelo qual se pretendia verificar qual a veracidade destes dados na nossa população estudantil. Na altura chegámos à conclusão de que cerca de 12% das crianças tinham excesso de peso e alertámos os pais para fazerem regularmente a relação IMC de forma a poderem controlar a relação peso/altura dos seus filhos e poderem pedir ajuda junto dos seus médicos de família.

Como tivemos resultados muito idênticos nos três anos em que fizemos esse estudo das nossas crianças, não o fizemos nos dois últimos anos lectivos. Talvez esteja na altura de o voltarmos a fazer para percebemos se o problema aumentou, se se tem mantido estável ou se diminuiu.

Como se devem lembrar, iniciámos na mesma altura um programa na alimentação que se baseou nas seguintes medidas:

1. Todas as crianças têm de comer sopa de legumes ( a qual já é passada, senão o problema era maior );
2. Em todas as refeições haverá legumes, ou crus em salada, ou cozidos, de forma a que as crianças se habituem aos sabores dos legumes e ingiram estes alimentos necessários para o bom equilíbrio da nossa alimentação;
3. Tomámos a decisão de apenas fazer fritos uma vez por semana, e ultimamente temos feito fritos de 15 em 15 dias em média;
4. A sobremesa será sempre fruta, visto que na sua vida familiar a maioria das crianças já ingerem doces a mais.

Acontece que, cada vez mais, temos problemas com a alimentação das crianças ao almoço e, na nossa opinião, isso tem a ver directamente com o tipo de alimentos que as crianças trazem para comer a meio da manhã. Vimos por esse motivo sensibilizar os pais para o tipo de alimentos a mandar:

1. Se a sua criança já tem dificuldade para comer habitualmente, deverá evitar mandar leite simples ou com chocolate. São alimentos de digestão difícil e lenta e faz com que as crianças que habitualmente têm dificuldade a comer não tenham fome quando vão almoçar;
2. O mesmo cuidado se aplica à quantidade de leite enviado: nunca deverá ultrapassar o 1/4 de litro ( 2,5 dl. );
3. São comuns as guloseimas que são altamente calóricas: as que têm chocolate, ou recheios devem ser evitadas;
4. O ideal seria que as crianças comessem apenas um peça de fruta, assumindo que comeram o pequeno almoço entre as 7:30 e as 9:00 e vão almoçar entre as 11:30 (infantil) / 12:00 (1.º e 2.º anos ) / 12:30 ( 3.º e 4.º anos ). Em alternativa poderão comer um iogurte, ou bolachas simples ( 6 no máximo );
5. Se as crianças comem demais no intervalo da manhã e ainda estão a fazer a digestão, não têm fome quando vão almoçar. É óbvio que vão torcer o nariz aos alimentos que deviam ingerir e que não estão habituados a comer;
6. Todos sabemos que as crianças começam a ganhar manias na alimentação, muito mais por imitação de colegas;
7. Sabemos também que numa escola onde têm muitos colegas à volta é difícil abrir excepções para umas crianças quando há outras que têm de comer tudo. Os pais deveriam pensar nisto quando pedem às funcionárias para não dar de comer aos seus filhos se eles não quiserem;
8. Sabemos que é difícil “agradar a gregos e a troianos”, mas os pais têm de nos ajudar nesta batalha, senão serão os seus próprios filhos que ficarão a perder. E as estatísticas não mentem;
9. Temos consciência de que no recreio da tarde as crianças devem fazer exercício, jogos de corrida, futebol, pelo menos durante meia hora diariamente. Por isso temos dado indicações às auxiliares do 1.º ciclo para obrigarem as crianças a sair cá para fora e não passarem o tempo todo sentados a jogar numa mesa. Mas por vezes é difícil consegui-lo quando as crianças já estão habituadas a isso. Precisamos da ajuda dos pais no sentido de pressionarmos em conjunto;
10. Por último, os pais deveriam manter a atenção no IMC dos seus filhos, tendo em atenção de que IMC é apenas um indicador, pois, consoante as idades, eles dão pulos em altura que muitas vezes não são acompanhados pela massa corporal ou vice-versa. Todavia estes referenciais devem servir para que, quando vão ao médico de família sejam referidos de forma a que possam ser tomadas medidas ainda antes de se manifestar o excesso de peso ou a obesidade.

Para verificação do IMC, enviamos-lhe dois links:

1. Lista de IMC consoante a idade da criança e o sexo ( indica o limite máximo e mínimo de cada categoria )

aceda a este link

https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/pub?hl=en_US&key=0AoRUTjCMEF_OdEpaV1ZvZ3pjRU1GOXp1UFdMd3pabkE&output=html

se não conseguir aceder com o link anterior:

https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AoRUTjCMEF_OdEpaV1ZvZ3pjRU1GOXp1UFdMd3pabkE&hl=en_US#gid=0

2. Processo de controlo de IMC: os dados constantes na folha ao abrir referem-se aos valores para adulto. Para conferir o resultado para crianças, deverá consultar os limites máximo e mínimo de cada categoria no link anterior.

Aceda a este link

https://spreadsheets0.google.com/spreadsheet/pub?hl=en_US&key=0AoRUTjCMEF_OdEhoRDhPRThBZHpUZktuSERjYWF2Nmc&output=html

se não conseguir aceder com o link anterior:

https://spreadsheets0.google.com/spreadsheet/ccc?hl=en_US&key=tHhD8OE8AdzTfKnHDcaav6g#gid=0

Agradecemos a todos o empenho colocado na luta contra esta tendência infantil.

A Direcção

Pordata – Um excelente repositório de quem somos

•16/06/2011 • Deixe um Comentário

Recolhi este link que encontrei algures na página do Facebook do colégio. Faz um excelente retrato da nossa sociedade, e das nossas melhores e piores características.

Um must para todos os que se interessam pelos problemas que afectam a nossa sociedade.

http://www.retrato-de-portugal.com/#/p1

Resposta ao artigo “37 anos de enganos”

•13/06/2011 • Deixe um Comentário

Resposta ao post de Professor Ramiro Marques que se pode encontrar no link a seguir.

http://www.profblog.org/2011/06/37-anos-de-enganos.html#more

Habitualmente eu venho aqui, leio e abstenho-me de “botar faladura” pois as pessoas têm direito a ter as suas ideias…
Mas quando vejo demagogia a mais, tenho tendência a ferver um pouco… Por isso aqui vai…

As palavras são perigosas e têm de ser usadas com cuidado, para que as pessoas não formem ideias erradas, principalmente as que não viveram como adultos antes de 1974.

“talvez não saibam que, em 1973, a economia portuguesa cresceu 11%.”
- Também é importante referir que 1973 foi o ano do primeiro choque petrolífero e que nesse ano a gasolina aumentou terrivelmente. Não era muito grave no entanto, pois só os ricos tinham carros… Nem sei bem quantos vencimento seriam necessários para comprar um automóvel…mas seriam muitos mais do que agora…e não havia nem cartões de crédito, nem empréstimos a pessoas comuns…

“Também não sabem que Portugal, durante as décadas de 40, 50 e 60 do século passado, foi dos países do Mundo que mais cresceu.
(…)que nas décadas de 50 e 60 do século passado, o PIB português cresceu, em média, 7% ao ano.”
- Também é importante referir que essas décadas foram as décadas de crescimento em toda a Europa e Portugal foi igualmente arrastado pelo “boom” da economia do pós-guerra. A economia da altura traduzia-se na frase de Salazar que afirmava que o vinho dava de comer ( e beber ) a um milhão de portugueses… De referir que uma grande parte da população bebia de facto vinho ao pequeno almoço a que chamava “sopas de cavalo cansado”…ou “mata-bicho”… temperadas com broa…
Também não entrou na segunda guerra pelo que conseguiu fugir à enorme destruição que afectou toda a Europa. Por isso produzia muito para a Europa, aliás como os Estados Unidos, facto que os fez renascer depois da Grande Depressão

“a taxa de desemprego era, em 1973, inferior a 3%”
- Também se deve referir que a maior parte da população vivia da agricultura de subsistência, aliás a grande aposta de Salazar para manter o povo calmo….enquanto trabalhava não tinha ideias disparatadas

“Na frugalidade, é certo. Mas não na pobreza.”
- Chamar frugalidade à vida da maior parte das pessoas do país que viviam da agricultura, é um puro eufemismo: as casas não tinham o mínimo conforto. Não tinham água corrente ( ia buscar-se à fonte); não tinham luz eléctrica ( candeeiros a petróleo); não tinham casa de banho ( uma casinha na horta construída com canas ); enfim, de facto era uma vida frugal…demasiadamente frugal…No contexto de hoje era pobreza completa…

“a economia portuguesa regride, depois de ter estagnado durante toda a primeira década do século XXI”
- o grande problema, mas ao qual era difícil de fugir depois de 48 anos de miséria, foi pensar que estava tudo errado; pensar que todos tinham direito a ser doutores como os ricos; que a escola era para ser unificada e não a dos pobres ( industrial e comercial ) e a dos ricos ( o liceu)…
Depois acabaram por piorar o problema quando ensinaram às crianças que um doutor não “queimava as pestanas ” para depois andar a trabalhar no campo ou a conduzir um tractor, ou a construir casas…Isso sujava muito as mãos e criava calos…
A consequência é que se acabou com a pouca indústria que havia; com a pouca agricultura que havia, pois os jovens “piraram-se” do campo para a cidade onde poderiam ter uma vida melhor;Quem conheceu Lisboa nos anos 70 sabe do que eu estou a falar…Para se ir do Campo Grande para o Lumiar era um passeio por um zona que se assemelhava muito a um bairro de gente rica envolto numa paisagem campestre…

“a taxa de desemprego atinge os 12%”
- Com a crise mundial e com as empresas a irem à falência, é natural que não haja empregos, e o betão e o alcatrão de alguns governos das duas últimas décadas não dá para dar de comer às pessoas nem para lhes dar trabalho…
Claro que depois, com um canudo e um curso superior, ninguém vai querer menos do que um emprego onde se ganhe bem e não se “suje as mãos”…
Além disso, quem teria eventualmente dinheiro para investir na economia real, prefere muito mais colocá-lo em acções que não “dão cabelos brancos” e rendem muito mais dinheiro…
Mas mesmo assim, todos querem ter o último PC ou Mac, o último iPad, o último smartphone, um bom automóvel para andar a passear, umas férias no estrangeiro…porque depois é o cartão de crédito que paga…
Quem andou na faculdade clássica nos anos 70, percebe bem o que eu quero dizer quando passa na alameda da faculdade hoje em dia…antigamente os carros paravam num estacionamento em espinha à frente da reitoria…Hoje chegam a dar várias voltas e chegam quase a meio da alameda…isto para além dos parques de estacionamento que entretanto foram criados por todo o lado… De onde veio todo o dinheiro para comprar esses carros todos? para comprar casas (antigamente arrendavam-se, mas o Salazar congelou as rendas em 1961 )?…e ninguém se apercebeu do enorme problema que estava a ser criado…

“Dois salários médios (800 euros cada) são insuficientes para sustentar uma família.”
- Bem, onde anda a frugalidade agora? Há muita gente que não tem esse dinheiro ao fim do mês…e vive…Pode não viver “à grande e à francesa” como se dizia antigamente, mas se tiver cuidado vive com esse dinheiro…

“Um Estado que guarda para si 50% de toda a riqueza produzida não pode aspirar a que as empresas estrangeiras invistam em Portugal nem que os empresários portugueses queiram criar novos negócios.”
-De que outra forma se pode querer manter este estado de coisas? O estado não tem dinheiro! o dinheiro vem-lhe dos nossos impostos… Pode estar errado, mas a culpa não é do estado, é de todos nós…porque fomos nós que fomos vivendo no engano e não nos apercebemos do que aí vinha.
Além disso fomos nós que fomos votando para que o estado existisse. Não podemos é ser hipócritas e dizer que tudo é culpa dos governos depois do 25 de Abril. Então o que andávamos nós a fazer? Andávamos distraídos? Se calhar andávamos distraídos com os empréstimos que fizemos para comprar cas, carro, e tudo o resto.

Todos gostamos muito das escolas que foram sendo construídas ( havia tão poucas que qualquer coisinha era melhor do que o que existia); todos gostamos muito de ir até Torres Novas em 45 minutos ( no meu tempo de faculdade demorava-se quase duas horas e meia…e com sorte); todos gostamos muito de levar 5/6 horas até Bragança ( eu tinha um colega de Mirandela que dizia que demorava um dia inteiro para lá chegar e tinha de sair de Santa Apolónia bem cedinho)…

“por um lado uma guerra colonial condenada à derrota”
O problema não era só a guerra colonial…era tudo aquilo que isso representava para a Europa e para o Mundo…num mundo em completa mudança…

“a falta de liberdade de expressão e a ausência de eleições verdadeiramente livres.”
- Em relação a isto nem vale a pena fazer qualquer afirmação. Só quem viveu antes de 1974, e conheceu o ambiente que se vivia na cidade e no campo, é que sabe o que isso quer dizer… para muitas das pessoas adultas de hoje em dia ( pessoas com menos de 45 anos ) as implicações passam ao lado…só por “hearsay”…

“Podia ter havido uma transição suave para a democracia não fosse a questão da guerra colonial.”
- Só quem não viveu o 25 de Abril como adulto é que pode dizer que devia ter havido uma transição… Uma barragem, quando rebenta, também se consegue travar com um painel de madeira?

Jogo de Economia – Preparado para 1.º e 2.º ciclos

•06/04/2011 • Deixe um Comentário

Com o desenvolvimento da situação económica no país e as notícias que começaram a conter termos como “deficit”, “orçamento”, “dívida”, “empréstimos”, “dívida externa”, “crédito”, etc, decidiu a direção do Colégio de Alfragide, criar um conjunto de aulas de economia que pudessem trazer algumas informações gerais sobre a importância do dinheiro, a forma como se deve usar e os cuidados a ter para não cairmos em desgraça e abrirmos falência.

Assim, foram elencados um conjunto de noções sobre a evolução da economia desde a pré-história até à época contemporânea, passando por conceitos como:

Necessidade básicas do homem pré-histórico

Comunidades nómadas

Comunidades sedentárias

Especialização do trabalho

As trocas por géneros

A invenção da moeda

Oferta e Procura: os preços e a sua variação

O Burgo e as Feiras

Êxodo Rural

O Renascimento

Reforma Agrária

Revolução Industrial

Norte Rico versus Sul Pobre

Comunismo e Capitalismo

O Estado do Bem-Estar

O Consumismo

O Orçamento de Estado

O Orçamento Familiar

Como é óbvio, estas noções foram dadas de forma simples para que os alunos compreendessem os conceitos e as relações através das quais as sociedades foram evoluindo e melhorando as suas condições básicas de vida.

Finalmente começámos a jogar o Jogo da economia que, de uma forma prática pretende pôr em prática as noções de orçamento familiar e as decisões que as famílias têm de tomar para sobreviver de acordo com as suas posses, vontades, desejos.

O jogo desenvolveu-se em estádios de acordo com os seguintes objetivos:

Estádio 1: Criação de famílias

Pegou-se no número de alunos rapazes e raparigas e previmos o número necessário para criar o número máximo possível de casais. Pusemos de lado o número de cartões a sortear relativo a estes casais. ( casado ) Relativamente aos sobrantes, escolheram entre cartões com igual número de solteiros/casados.

Por exemplo: Uma turma com 8 rapazes e 14 raparigas. Criaram-se 8 casais e sobraram 6 raparigas. Dividiu-se este número ao meio e destas 6, 3 teriam de ser solteiras e 3 teriam de ser casadas. Desta forma organizaram-se os cartões a sortear: 16 Cartões a dizer “casado”, 3 cartões a dizer “solteiro” e 3 cartões a dizer “divorciado”.

Estádio 2: Escolha de profissões

Os alunos escolheram cartões que indicavam as profissões e os vencimentos:

Professor 1600; Arquiteto 2500; Juiz 4000; emp balcão 650; economista 2000;

Escriturário 950; escriturário 1200; emp balcão 750; motorista 900; operário 750;

Médico 5000; enfermeiro 1200; político 3500; gestor 4500; emp balcão 850;

Escriturário 1000; operário 850; médico 4500; cantor 1000; monitor ED Fis 1200;

Professor 1300; motorista 900; escriturário 850; emp balcão 900.

Estádio 3: Escolha do número de filhos

Sortearam-se os filhos: cada aluno teve de escolher um cartão à sorte onde lhe poderia sair 0 filhos, 1 filho, 2 filhos. Portanto, cada casal poderia ficar com zero filhos no mínimo ( se cada um deles tirasse zero filhos), mas poderia ficar com 4 filhos no máximo (se cada um dos membros tirasse dois filhos).

Os solteiros ficaram livres de ter filhos e os divorciados sortearam também o número de filhos.

Estádio 4: Escolha de casa

Cada casal  teve de escolher entre as seguintes hipóteses de acordo com o rendimento do agregado familiar: casa dos pais, casa arrendada, casa própria pequena de 400 euros/mês, casa própria grande de 600 euros/mês

Estádio 5: Escolha da escola

Cada casal  teve de escolher entre as seguintes hipóteses de acordo com o rendimento do agregado familiar: escola oficial (100 euros/criança), escola particular barata ( 380euros/crianças), escola particular cara (600 euros/criança)

Estádio 6: Escolha de carro

Cada casal  teve de escolher entre as seguintes hipóteses de acordo com o rendimento do agregado familiar: transportes públicos ( 100 euros cada adulto + 25 euros cada criança com mais de 6 anos ); carro pequeno ( 160 euros gasóleo + 250 euros /mês empréstimo); carro grande (160 euros gasóleo+500 euros/mês empréstimo)

Estádio 7: Definição de gastos fixos

Valores por mês:

Água: 25 euros adultos+ 0,25% por cada filho por mês

Eletricidade: 25 euros adultos+ 0,25% por cada filho por mês

Gás: 50 euros adultos+ 0,25% por cada filho por mês

Comunicação: 50 euros tel. Fixo+TV+internet + 25 euros cada telemóvel por mês

Roupa: 10 euros por pessoa por mês

Alimentação: 45 euros por pessoa por mês

Combustível: 160 euros por automóvel/100 euros por passe adulto/25 euros cada passe criança por mês

Férias em casa: 10 euros por pessoa/mês

Férias no país: 40 euros por pessoa/mês

Férias no estrangeiro: 100 euros por pessoa/mês

Gastos diários filhos: 10 euros por cada filho/mês

Após estes estádios começámos a jogar o JOGO da ECONOMIA, fazendo uma ronda pelas famílias em cada um dos meses, começando em janeiro, até dezembro.

Em cada mês, cada família escolhe um cartão de sorte/azar onde, para além dos custos fixos, recebe indicações sobre situações positivas ou negativas que lhe podem acontecer.

Sorte/Azar

Saiu-lhe dinheiro no Euromilhoes: 5000 Euros.

Quando ia a caminho do emprego, bateu no carro da frente: 1700 euros de arranjo no seu carro.

O frigorífico avariou-se. O arranjo são 200 Euros. Um novo custa 450 euros. O que faz?

Uma tia afastada deixou-lhe uma propriedade numa cidade de província. Alguém lhe daria 25000 Euros por ela… Venderia ou não?

Fez anos de casado, foi jantar fora num restaurante de luxo: 300 Euros.

De repente, começou a ter dores num dente. O dentista disse-lhe que tinha de o arrancar e propôs-lhe um implante por 1500 Euros: o que faz?

O seu patrão acha que merece ser promovido. O novo lugar implica um aumento de 50% no seu vencimento.

Recebeu uma carta do IRS. Reembolsaram-no em 560 Euros.

Recebeu uma carta das finanças. Tem de pagar a contribuição autárquica: 350 euros.

O seu automóvel tem os pneus gastos: pneus novos custam 400 euros.

Fez uma sociedade com um amigo. A empresa criada começou a dar lucros. No ano anterior deu 20000 euros de lucro, do qual recebeu metade.

Contactaram-no do colégio do seu filho que já pode ir levantar o dinheiro do contrato simples: 1250 euros.

o seu filho faz anos e quer fazer uma festa para os amigos numa discoteca: 1000 euros.

Tem de pagar as propinas da faculdade do seu filho: 330 euros.

Funcionamento do jogo

Se uma família não tiver dinheiro para satisfazer os seus compromissos tem de se endividar pagando juros a seis meses de 5%, pagando depois prestações mensais perante o empréstimo.

Se a família tiver dinheiro em excesso terá de tomar decisões sobre depósitos à ordem e/ou a prazo a seis meses com juros de 5%.

O interesse será ver como cada família toma as decisões mais corretas e chega ao fim de 12 meses melhorando as suas condições de vida ou não.

Um Projeto para o 2.º Ciclo: PRESSUPOSTOS EDUCATIVOS E CURRICULARES

•06/04/2011 • Deixe um Comentário

Para que fique claro, o nosso projeto tem por base um conjunto de finalidades muito precisas e que implicam determinadas características por parte dos docentes. Este conjunto de princípios não deverão pôr em causa os programas de cada uma das disciplinas, mas deverão servir de “cola” para lhes dar consistência e unidade:
1. Não pretendemos criar apenas o 2.º ciclo. Para isso existem as escolas públicas e as de ensino massificado;

2. Queremos educar as crianças num espírito de determinação, esforço, curiosidade, inovação e alegria pelo que se faz;

3. Queremos que as disciplinas não sejam estanques, mas antes que as crianças compreendam as pontes que podem estabelecer entre as diversas áreas do conhecimento e a forma como isso as pode enriquecer;

4. Queremos dar prioridade à curiosidade prática, pelo que as disciplinas e a sua interdisciplinaridade terão como pano de fundo o desenvolvimento de projetos que se incluirão na  comunidade escolar e por sequência na comunidade alargada onde a escola se insere;
5. Por esse motivo pretendemos que as disciplinas estabeleçam pontes práticas na ligação à matéria apreendida e à sua utilização prática, dando prioridade ao aprender a fazer, saber fazer, saber organizar, saber gerir, saber “desenrascar-se”. Importa que a criatividade seja dirigida para o que é de facto importante e isso tanto pode ser o bem comum do grupo, como o bem da comunidade mais alargada (escola), ou ainda que extravase para fora da escola (bairro e/ou freguesia);

6. A aprendizagem de tecnologias informáticas e digitais servirá apenas como ferramenta aglutinadora da forma como se apresentam, se pesquisam e se difundem esses conhecimentos. Todavia é importante o desenvolvimento da literacia digital como forma de preparar os alunos para as diversas hipóteses práticas de utilização das referidas ferramentas na sua vida estudantil, familiar e social futura. Disso poderá depender também a forma como futuramente eles se irão integrar num grupo numa empresa ou criar o seu próprio projeto.

As disciplinas serão lecionadas pelos seguintes docentes:

Língua Portuguesa      – José Crispim Romão
Língua Inglesa            – José Crispim Romão
História e Geografia
de Portugal                – Ana Margarida Gonçalves
Ciências da Natureza  – Sara Castanheira
Matemática                – Sara Castanheira
Educação Musical      – Rute Silva
Educação Visual e
Tecnológica               – Cátia Profano
- professora da área de materiais a contratar ainda ( dependendo da obrigatoriedade de 2 docentes)
Educação Física        – Marco Pinto

Para além destas áreas, as ditas áreas não curriculares (Área de Projeto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica) serão dadas pelos docentes atrás indicados, não tendo ainda sido tomadas decisões sobre a forma como essas horas irão ser distribuídas, dependendo das decisões tomadas pelo Ministério.

Em termos extracurriculares, haverá o tempo de estudo e o  controlo comportamental que ficarão à responsabilidade da direção, apoiado pela Cátia Silva, já nossa colaboradora e que é licenciada em Psicologia.

Pressupostos:

1.       As disciplinas não são estanques mas sim transversais;

2.       Os docentes devem combinar estratégias que proporcionem o cruzamento de atividades entre diversas disciplinas, mesmo as que aparentemente não tenham nada em comum;

3.       Uma das características a desenvolver nas crianças é a curiosidade e a inteligência emocional como forma integrada de resolver problemas;

4.       Outra condição implícita é o alargamento da visão planetária, das exigências da Terra, lembrando que, embora pertençamos a sociedades e culturas diferentes espalhadas por esse planeta, estamos todos “no mesmo barco” e temos de nos respeitar mutuamente, mesmo que isso implique compromissos;

5.       Da mesma forma as disciplinas nesta fase devem funcionar como portas do conhecimento, abertas de par em par, ligadas a diversas pontes entre as diversas áreas do conhecimento, que permitam às crianças desenvolver gostos e interesses e integrá-los na sua maneira de ser, estar e pensar;

6.       Potenciar o envolvimento da comunidade educativa, de outras secções, nas atividades preparadas por e para os alunos do 2.º ciclo. Proporcionar aos outros alunos a apresentação de produtos criados por estes, seja em teatro, música, dança, texto ou poesia de forma a que isso possa proporcionar um estímulo extra para os mais pequenos;

7.       Aceitam-se propostas criativas de todos os docentes, no sentido de podermos aprimorar o relacionamento intradisciplinar, bem como o extradisciplinar, de simples lazer ou de aprendizagens outras que não as contempladas nos programas;

8.       Todas as atividades podem e devem ter um acompanhamento das TIC, não sendo estas um fim em si mesmas, mas antes um meio de atingir patamares mais integradores dos conhecimentos entretanto adquiridos;

9.       Fazer as crianças perceber que não há nada que se consiga fazer muito bem que não tenha necessitado de dedicação e de esforço permeado de sacrifícios. O que acontece é que, quando gostamos muito de uma atividade, não tomamos como esforço tudo o que fazemos por ela. Como se corre por gosto, não nos apercebemos do esforço e sacrifício envolvido;

10.   Desenvolver o conceito de método em todas as abordagens que as crianças façam, seja ao estudo, ao lazer, enfim, dar-lhes a compreensão de que com organização, método e esforço tudo se consegue. Depende apenas das nossas capacidades e da nossa perseverança. Fazer depender o método usado dos objetivos planeados e das dificuldades previsíveis;

11.   Valores como o respeito pela individualidade e/ou espírito solidário mesmo para com os que são nossos adversários, são importantes estruturas no desenvolvimento do caráter e da personalidade.

Estratégias Possíveis:

1.       Oferecer a frequência da disciplina de Língua Francesa ou Castelhana, como alternativa complementar ao Inglês;

2.       Criar atividades que valorizem e incentivem o espírito de observação científica. Da mesma forma proporcionar espaços e tempos para uma racionalização das observações realizadas que permitam uma melhor compreensão integrada do meio envolvente;

3.       Desenvolver um blog do 2.º ciclo ou de uma área no Moodle, subdividida depois em várias, mas às quais todos tenham acesso para visualizarem, criticarem e darem opiniões;

4.       Proporcionar a criação de uma estação de rádio a ser dinamizada pelos alunos em ambiente de recreio ou de tempos livres. Esta pode ser pré-gravada ou feita em direto de acordo com as diretrizes entretanto aprovadas pelo conselho de docentes do 2.º ciclo;

5.       Promover uma newsletter/jornal feita pelos alunos apenas com um conselho de correção sem interferência nos assuntos discutidos, a não ser que estes impliquem desrespeito pela escola, docentes funcionários alunos e/ou familiares;

6.       Potenciar o desenvolvimento de outros interesses, hobbies para além dos que são mais comuns. Assumir a complexidade como uma dificuldade a superar e não uma barreira intransponível;

7.       Será bem vista a criação de clubes que possam agregar interesses, com o apoio dos docentes, do restante pessoal docente do colégio, dos próprios pais. Um dos exemplos poderá ser um cineclube onde se possam mostrar filmes que possam servir de catalisadores para uma reflexão sobre a realidade, de forma a debater pontos de vista e mentalidades sobre assuntos polémicos.

Relação Família / Escola:

1.       Deve haver uma perceção, tanto por parte dos pais, como por parte do corpo docente, de que a idade dos alunos proporcionará comportamentos novos e diferenciados, devido à aproximação da pré-adolescência e à alteração da visão das crianças relativamente à imagem dos pais. É habitual nestas idades que crianças que nunca omitiram, mentiram ou de outra forma distorceram a realidade, o comecem a fazer agora, principalmente quando percebem que conseguem distorcer factos para seu benefício;

2.       É importante que a posição dos docentes e dos pais seja, perante as crianças, tão coincidente quanto possível. Devem ser evitadas pelos pais perante as crianças a desvalorização e/ou expressão de discórdia relativamente a métodos dos docentes e/ou da escola, pois isso irá desautorizar os docentes pela negativa. A análise das situações deve ser feita com a direção e/ou os docentes, mas sem pôr em causa o equilíbrio da relação aluno/professor/família;

3.       A partir deste nível de escolaridade, é importante que as crianças desenvolvam método e períodos de estudo, devendo estar igualmente preocupados com os trabalhos de casa e com o estudo das diferentes disciplinas que o implicam. Um dos problemas principais a partir destas idades é não saberem estudar e considerarem que apenas o devem fazer nas vésperas dos testes;

4.       É importante que haja exigência na formação dos alunos, pois caso contrário habituar-se-ão à mediania e dificilmente se esforçarão na proporção das necessidades à medida que vão evoluindo nos estudos. Essa é a razão das notas fracas quando chegam ao 8.º/9.º anos e daí para cima. Depois de criado o hábito, é muito mais difícil reforçar procedimentos;

A escola estará sempre aberta à análise de diferentes perspetivas com o objetivo de melhorar a prestação do ensino.

Alfragide, fevereiro de 2011

Concurso de Criatividade na Escola

•09/02/2011 • Deixe um Comentário

CONCURSO DE CRIATIVIDADE

 

Actividade em Família

Hoje em dia, todos sabemos que a vida profissional dos pais e a vida escolar dos filhos provoca dias de semana agitados, frenéticos sem grande tempo para que pais e filhos desenvolvam actividades em família que possam funcionar como um cimento em termos afectivos e emocionais e que , por outro lado, estabeleçam uma ponte entre as aprendizagens na escola e as aprendizagens de vida em família.

 

Espírito Empreendedor e Criativo

Por outro lado, o tipo de sociedade em que vivemos leva-nos muito mais a sermos espectadores em vez de participantes. Um dos grandes problemas do Portugal de hoje é precisamente a não existência de uma estratégia horizontal a todas as actividades educativas que tenha como objectivo o desenvolvimento do pensamento crítico, do pensamento divergente e de uma capacidade criativa e inovadora. Aliás, na minha opinião, esta falta de estratégia é a que faz com que a mentalidade do português comum seja a de trabalhar sob o comando de outros, fugindo a tudo o que possa levemente lembrar empreendedorismo ou criatividade.

 

Estratégias a Encontrar

Não há grandes respostas em termos nacionais a esta situação. Todavia, se pensarmos na comparação do nosso país com outros países, facilmente chegamos à conclusão que, no final de um curso superior ou mesmo do secundário, o que passa na cabeça de um estudante português é “arranjar um bom emprego”, tanto melhor se for na função pública. Não passa na cabeça dele trabalhar individualmente ou em conjunto na criação de uma empresa de forma a poder dar corpo às noções e ideias criativas que terá desenvolvido ao longo da sua formação.

 

Dificuldades Estruturais

Quando pensamos em actividades para o desenvolvimento da criatividade imediatamente nos vem à mente um espaço próprio, tipo oficina, laboratório ou atelier. Por outro lado, ainda, o tipo de vida social e familiar na cidade, vivendo em apartamentos, faz com que não seja habitual haver um local privilegiado para a criação e para os trabalhos manuais e que permita o desenvolvimento de actividades características de um espírito criador, inventivo ou experimentador.

 

A Nossa Proposta

Por estes motivos, enquanto escola, somos responsáveis não apenas por apontar o problema, mas também por tentar encontrar estratégias para a sua resolução. È nesta perspectiva que vimos propor este concurso de criatividade, de forma a que, com bastante tempo, pais e filhos tenham uma ideia, a desenvolvam, construam os seus protótipos e os apresentem num dia designado para o efeito, no fim do ano.

 

Projecto Família Criadora

O que se pretende então? Pretende-se que a família projecte um veículo automóvel, que deve construir com materiais de desperdício, com um determinado tamanho máximo e mínimo, e que se mova por si próprio, ou seja, que tenha um sistema de propulsão capaz de fazer deslocar o veículo, sem qualquer ajuda ou empurrão por parte dos seus construtores.

 

O veículo terá de conseguir percorrer uma pista com um comprimento de 6 metros, podendo usar qualquer tipo de energia. Todavia, a principal característica de avaliação do projecto será a sua originalidade, seja no “design” ou nas propostas de propulsão.

 

De seguida estão indicadas as regras a aplicar na avaliação dos projectos:

 

Tipo de veículo: 4 rodas

Material usado na sua construção: Materiais de Desperdício

Comprimento: mínimo 25 cm / máximo 40 cm

Largura: a largura não deve ser inferior a um terço nem superior a dois terços do comprimento

Propulsão: qualquer uma, desde que o carro se consiga mover por si próprio, sem ajuda externa

Requisitos de movimento: Tem de percorrer uma pista com início e meta indicados, com a extensão de 6 metros, devendo o corpo do carro ser posicionado sem pisar o risco de partida e ultrapassar completamente o risco de Meta

Durante a prova, apenas o aluno poderá estar junto do veículo.

Cada família deverá ter um nome de equipa

O aluno que apresentar o projecto deverá ter um T-shirt vestida com o nome da equipa

 

Nota: são permitidos pequenos motores eléctricos do tipo dos que são usados para pequenos brinquedos; os veículos deverão todavia ser totalmente construídos. Não se aceitam chassis de carros de brinquedo ou telecomandados.

 

Avaliação dos Projectos Participantes

No dia da prova, haverá um júri que terá obrigatoriamente de ser composto por um docente do nosso colégio, um pai e um elemento estranho à escola, com formação na área prática da engenharia e/ou docente das áreas tecnológicas.

Ensino – Quo Vadis?

•09/02/2011 • Deixe um Comentário

Espantoso! Verifiquei agora, com alguma surpresa, que foi em Agosto que eu escrevi o último post!

De facto, se atentarmos nas características que um “blogger” deve ter, eu não posso ser considerado como um verdadeiro “blogger”. Ou seja, sou assim como uma imitação falsa, um escritor de Domingo, alguém que não consegue manter uma página activa e actual no que respeita aos assuntos que pretende trazer à espuma da superfície.

Para ser justo comigo próprio e com os meus eventuais leitores, devo também dizer que só não o faço porque as tarefas que me estão confiadas têm sempre prioridade sobre as textos que eventualmente vá escrevendo sobre a realidade da educação, ou a realidade da escola onde trabalho. No entanto os tempos conturbados que vivemos implicam que todos tenhamos que sair à rua a defender as nossas convicções. Pelo menos, confrontá-las com as de outros para ver se se faz luz…

Ultimamente, o ambiente na educação anda de tal forma agitado que dou comigo por vezes a matutar no futuro do ensino e da escola em Portugal. E, como eu costumava ouvir aos mais velhos, quando era mais pequeno, “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Não quero de alguma forma tomar parte na liça, tomando a posição deste ou daquele. Apenas acho que, da forma como vamos, quem fica prejudicado é o “mexilhão” para utilizar outra imagem frequentemente utilizada.

E vem isto ao caso do seguinte: de que forma é que a escola actual está organizada para tentar fomentar a inovação e a criatividade nas crianças? De que forma cada professor consegue criar actividades e estratégias que sejam capazes de dar aos alunos essa centelha de curiosidade que serve de combustível para a descoberta do mundo envolvente?

E não me parece que, com o ambiente incendiado que se encontra, sejamos capazes de encontrar a serenidade necessária para que os alunos aprendam e os professores ensinem. A escola está a sofrer alterações profundas que, pelas suas características obrigam a opções que têm de ser sempre políticas: os alunos devem passar mais ou menos tempo na escola? Os docentes devem ou não ter outras actividades na escola para lá das suas actividades lectivas? Os docentes devem ou não ser avaliados?

Por estes motivos, e outros ainda, vemos os professores em guerra com o ministério, mais preocupados com a sua própria carreira do que com o facto de serem responsáveis pelo ensino e educação dos que lhes estão confiados. É claro que isto não ajuda a melhorar a imagem que o público em geral tem dos docentes, não ajuda a que os alunos respeitem mais os professores e não ajuda a que os níveis de proficiência no ensino sejam os melhores. Mas isto não é de agora, já vem de há muitos anos. Agora apenas não há o dinheiro que havia anteriormente e por isso tudo tem de apertar o cinto.

Esta guerra é uma guerra de interesses, desde os particulares e profissionais dos professores, aos dos sindicatos, aos dos ministros e apaniguados, não se antevendo algum resultado de valor para os que têm de caminhar todos os dias para a escola para realizarem todos os passos do seu percurso escolar. Se a população estudantil está em decréscimo, como é que não há-de haver alunos a menos para o elevado número de professores que têm sido formados em todas as ESEs que proliferaram pelo país? Por que razão passámos em 30 anos do 8 ao 80? Na década em que comecei a ensinar, quase não havia uma formação específica para se ser professor. Ia para o ensino quem não queria fazer outra coisa, e bastava uma licenciatura. Hoje, se se tiver uma licenciatura, não se pode dar aulas, mas os que fazem os cursos nas ESEs nem sempre o escolhem pelas melhores razões. Chegam mesmo a formar-se professores que tiveram nas disciplinas de acesso notas baixas a Matemática e/ou a Português. Acontece com os professores o contrário do que acontece com os médicos. Se calhar por não haver uma ordem dos professores, pois não é considerada uma profissão liberal.

Mas também fico a pensar: e será que, se houvesse uma ordem dos professores, este ambiente iria desaparecer?

Como resultado de tudo isto, o futuro dos nossos alunos poderá estar em causa. Isto se todos nós – ministério, docentes, sindicatos, secretários de estado, associações de pais, alunos, auxiliares, população em geral – não encontrarmos forma de dar a volta à situação.

Depois disto, já nada me espanta!

•29/08/2010 • Deixe um Comentário

Espanta-me o actual radicalismo com que alguns bloggers se acicatam contra algumas medidas que consideram inventadas pelo demo, sendo este invariavelmente a Milú ou o Sócrates, consoante as situações e os interesses.

Quero eu referir-me a um artigo do Professor Ramiro no Profblog (http://www.profblog.org/2010/08/ja-so-faltava-isto.html )

Em primeiro lugar, quem lê o artigo à pressa, fica a pensar que foi uma decisão do governo,  devido ao nome ( Já só faltava esta! ) que se dá ao artigo. Com mais calma, indo à notícia de origem no jornal Público, verifica-se que é uma medida que está em estudo… no Reino Unido!

Depois, lendo o artigo com calma conseguem-se retirar alguns  aspectos dignos de nota. Para se perceber o nível ridículo a que alguns artigos chegam quando se deixam levar por cores partidárias ou lutas com objectivos claros “ad hominem”, eu vou fazer a mesma coisa, mas ao contrário…

Desta forma, digerindo o artigo, encontramos as seguintes pérolas:

Texto retirado do artigo do blog (1) :

“O mesmo Estado que promove o sedentarismo das crianças com o conceito de escola a tempo inteiro e com a oferta de computadores a crianças que nem ler sabem(…)”

As minhas observações, ou antes, questões retóricas:

a)    Ou seja, as crianças na escola a tempo inteiro são a causa de sedentarismo, promovido pelo estado, pois assim as crianças ficam privadas de fazer exercício?

b)   Os computadores ( leia-se Magalhães ) são piores que a “fast food”? Então e outros meios áudio-visuais como a televisão, o VHS, as Play Stations, as Nintendo, os game-boy, os dvd, a Wii, já para não falar dos gravadores de cassetes, walkman, leitores de CD portáteis, leitores de MP3?

c)    E em relação a computadores, são só os Magalhães que estão em causa? Os outros para os alunos mais velhos e para os professores já não provocam obesidade?

Texto retirado do artigo do blog (2) :

“Quando os Governos – por via de más políticas – lançam no desemprego 10,6% dos portugueses com idade para trabalhar é no mínimo de mau tom acusar os pais de não serem capazes de evitar a obesidade infantil e juvenil.”

As minhas observações…

a)    Sinceramente, não entendo o que uma situação tem a ver com a outra…

b)   Só porque o estado deverá ter remorsos de ter mandado estas pessoas todas para o desemprego(???), já não tem autoridade moral para criar medidas que possam ajudar a lutar contra a obesidade?

c)    Ou seja…os pais desempregados não conseguem educar os filhos para terem uma alimentação saudável? Ou o governo, por ser culpado do desemprego deles, não pode tomar medidas contra a tendência para o aumento da obesidade?

Texto retirado do artigo do blog (3) :

“Esquecem os proponentes desta medida que a obesidade mórbida tem carácter genético e a outra pode ser combatida com refeições escolares saudáveis e o acompanhamento regular de um nutricionista.”

As minhas observações…

a)    E as escolas não têm margem de manobra para lutar por uma melhor alimentação para os alunos?

b)   O que andam os conselhos executivos e os conselho pedagógicos a fazer?

c)    E os professores só estão preocupados com a avaliação ( a sua )?

Texto retirado do artigo do blog (4) :

“Mas o melhor que o Governo pode fazer para prevenir a obesidade infantil é deixar de dar computadores às crianças, acabar com a escola a tempo inteiro e financiar Actividade de Ocupação dos Tempos Livres ao Ar Livre: aventura e descoberta e convívio com a Natureza.”

As minhas observações…

a)    Pois…o que se vê mais nas escolas são crianças durante os intervalos e os recreios, com os Magalhães em riste…

b)   Claro que  a escola a tempo inteiro deveria acabar (os professores podiam ir para casa mais cedo, preparar aulas)

c)    O estado tem que gastar o seu dinheiro é a criar Actividades e Ocupação de tempos livres e convívio com a Natureza… E a escola não tem nada a dizer? Ou seja, pretende-se que seja o estado novamente a criar mais despesa com outras iniciativas ( separadas da escola para não a sobrecarregar )…

d) Por que será que os pais acabam por ter de gastar dinheiro do seu bolso para os OTL e/ou ATL, para que os filhos possam ficar resguardados enquanto eles estão a trabalhar? E o facto dos pais terem de trabalhar e não poderem estar com os filhos, também é culpa do governo? Ou então, porque será que muitos acabam por optar e procurar escolas particulares?

 
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